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Um Mundo com “pílulas de emergência”, Um Mundo Feliz?
Aqueles que tenham lido a novela de Aldous Huxley saberiam perfeitamente que a resposta é não. “Um Mundo Feliz” é uma novela de utopia negativa que ultimamente parece menos “utopia”.
Aqueles que defendem a promoção da pílula tratarão de nos dizer que a resposta é sim. Apoiarão-se em uns supostos “direitos reprodutivos”, invento que não significa outra coisa que dissimular uma aspiração ideológica que com o tempo mudou de nomes mas não de objetivos (Ver boletim 16). Antes usavam o pretexto da demografia. Hoje que os dados populacionais já não lhes dão a razão, mas precisamente o contrário, os argumentos são menos “duros” e mais superficiais.
Em todo caso não se trata de enrolar-se em discussões sobre as razões pelas que se usa cada pílula (inclusive se forem usadas por razões erradas). É mais contundente nos referir às conseqüências sociais de seu uso. Alguns serão movidos pelos seus princípios mas não todos. Outros serao movidos pelos efeitos das estatísticas ou das análises sociológicas. Estes últimos são mais difíceis de convencer mas ao mesmo tempo muitas vezes são os mais eficazes.
Como seria um mundo com “pílulas de emergência”? Trazeria paz e tranqüilidade? Bem-estar? Saúde?
Até a data se conhece um estudo científico ao respeito. É o do Glasier et al em Maio de 2004 realizado na Escócia em milhares de mulheres entre 16 e 29 anos que tiveram a PDS a disposição (1). O resultado deste estudo mostrou que não houve nenhuma redução nem de gravidezes adolescentes nem das taxas de abortos. Entretanto, os promotores da pílula seguem falando de um suposto benefício social embora a realidade lhe bata com a porta no nariz. É necessário lhes precisar no debate que quando falam de redução de taxas de aborto ou gravidezes “indesejadas”, falam de hipóteses ( supõem que essa diminui+ão acontecerá). Por isso, não saem de um plano ideológico, nem podem citar nenhuma evidência científica. Estão falando possivelmente, e no melhor dos casos, de seus desejos.
É que para começar os resultados científicos dizem que a PDS não oferece os benefícios que eles divulgam. (Em outro boletim falaremos de seus altos custos apesar de ter uma muito baixa efetividade, quase a nível de placebo).
Mas não tudo fica por aí. O problema é que implementar as PDS socialmente implica uma mudança na estratégia da educação sexual que a levaria à beira da irresponsabilidade, o qual é contraditório com a estratégia anti-corrupção de todas as agências internacionais que procuram promover o valor da responsabilidade. E assim como a irresponsabilidade social no manejo de recursos públicos não leva a um mundo feliz, a irresponsabilidade sexual tampouco.
É nesse mundo despersonalizado e despersonalizante onde não queremos viver e que não queremos deixar aos nossos filhos. Pelo contrário, desejamos construir as bases de uma sociedade que favoreça o amor entre os esposos e o fortalecimento de suas famílias como meio de personalização. Apostamos por esta comunidade de pessoas que é a família. É assim que se inicia o processo construtivo de pessoas sólidas que estão longe de abortos e de gravidezes indesejadas. É um novo conceito de desenvolvimento social, o único sustentável no tempo, feito de sacrifício e perseverança, totalmente contrário a estas “pílulas de emergência”.
Carlos Polo Samaniego
Director de la Oficina para
América Latina
Population Research Institute |
NOTA:
(1) Advanced provision of emergency contraception does not reduce abortion rates. Glasier A, Fairhurst K, Wyke S, Ziebland S, Seaman P, Walker J, Lakha F. Lothian Primary Care NHS Trust Family Planning and Well Woman Services, Edinburgh EH4 1NL, Scotland, UK. Anna.Glasier@lpct.scot.nhs.uk
Contraception. 2004 May;69(5):361-6.
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Depois de vários anos de resistir a pressão das feministas, parece que a Administração Bush estaria por ceder à pressão política. Dessa maneira, a forte dose de esteroides da “Pílula do dia seguinte” (PDS) estariam ao alcance de mulheres adultas e adolescentes sem necessidade de prescrição médica para maiores de 18 anos. Isto não só provocará as mortes de mais crianças por nascer (dado que a PDS age freqüentemente depois da concepção), mas, além disso, ao tê-la tão acessível, danificará seriamente a saúde de mulheres e meninas que a usarão repetidamente
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| A FDA não anunciou sua decisão oficialmente, mas algumas asseverações desde seu interior e também as de representantes de Barr Laboratories, fabricante da marca Plano B (Levonorgestrel 0.75 mg), indicam claramente que a intenção é permitir a venda OTC ou sem receita da PDS. |
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Dr. Andrew von Eschenbach |
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Ninguém, nem pró vida ou pró aborto, pró família ou pró anticoncepção, deveria favorecer esta mudança. Os próprios peritos da FDA, quando aprovaram a venda com receita, disseram que o uso repetido da PDS poderia trazer sérios danos à saúde das mulheres, adultas ou adolescentes. Disseram também que a PDS deveria usar-se muito rara vez, só em uma “emergência”. Por esta razão se usava o termo “anticoncepção de emergência”, ainda quando o uso da palavra “anticoncepção” é desonesto e desinforma. Reservando-a para o âmbito da prescrição, a FDA punha como requisito que as mulheres vão até um médico e um profissional farmacêutico que se sujeitariam à história clínica do paciente, e não a proporcionariam quando medicamente não for aconselhável.
Com a venda sem receita, esta garantia profissional desapareceria. Qualquer pessoa maior de 18 estaria em condições de ir até a farmácia ou drogaria em qualquer momento e comprar a PDS, sem que ninguém lhe faça alguma pergunta. Poderia alguém duvidar que muitas adolescentes terminarão usando a PDS uma e outra vez? Os peritos da FDA advertiram que as sérias conseqüências desse tipo de uso repetitivo, mas não poderiam dar precisões muito concretas já que nem sequer houve estudos sobre o uso repetido da PDS. Ninguém sabe com precisão o que aconteceria no corpo da mulher com repetidas ingesões desta potente dose de esteroides.
Mas se tomarmos como pauta o acontecido recentemente com a RU 486, os desastrosos efeitos sobre a saúde não deteriam os que promovem a PDS. E esta seguiria vendendo-se sem receita apesar de tudo. A pílula abortiva RU 486 foi autorizada muito depressa pela Administração Clinton só sob prescrição apesar de que todos seus letais efeitos colaterais eram bastante conhecidos. A partir de então, esta esteve matando mães a uma taxa dez vezes maior que a de abortos cirúrgicos. Entretanto, as feministas e outras que se chamam a si mesmas defensoras das mulheres não manifestaram nenhuma intenção de que a autorização da RU 486 seja revogada. |
Poderá a pressão política posta sobre a Administração Bush fazer que esta traia a saúde das mulheres com a “Pílula do dia seguinte”?
Steven W. Mosher
Presidente do Population Research Institute |
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O Dr. Andrew von Eschenbach, nomeado pelo Presidente Bush para ser o Comissionado da FDA, disse recentemente que se reabriria o caso da venda OTC da PDS justo depois que alguns senadores pró abortistas como Hillary Clinton (Democrata.-New York) puseram objeções à sua nomeação. A mensagem de Clinton e seus colaboradores para von Eschenbach foi muito clara: Aprova a venda sem receita da PDS ou sua nomeação não passa. Tudo parece indicar que von Eschenbach está submetendo-se a essa pressão. |
Por outro lado, o debate sobre a venda sem receita da PDS contínua desenrolando-se sob mentiras óbvias. A primeira é que a PDS é anticoncepção e não aborto. Contudo, os cientistas estão de acordo em que a PDS freqüentemente impede a implantação de um criança já concebida, fazendo algo distinto a impedir a concepção e algo que mata. Outra mentira óbvia: a PDS é segura para a mulher que a usa. Sim, os peritos concluíram que a PDS é segura, mas ninguém estudou os efeitos de um uso repetitivo. NÃO OBSTANTE os peritos da FDA advertiram que o uso repetitivo poderia ser seriamente nocivo.
Outra mentira é que a PDS sem receita somente seria acessível às mulheres adultas. Qualquer que esteja familiarizado com a realidade da sociedade norte-americana sabe que as adolescentes têm fácil acesso a cigarros e álcool que supostamente também devem ser vendidos somente para adultos. por que poderíamos pensar que seria diferente no caso da PDS?
A colunista do Boston Globe, Ellen Goodman, sempre constitui um excelente ejemplo-resumo de todas as mentiras do pessoal de esquerda. Em uma típica coluna de 10 de Agosto, também exemplarmente desonesta, ela afirma que a PDS é um anticoncepcional que evita o aborto e que, pró vidas e pró aborto, deveriam concordar com ela. Imediatamente a seguir condena “a bizarra ideia que expõem suas adversárias, tais como Concerned Women for America (Mulheres Comprometidas com a América), que dizem que um agressor ou violador poderia comprar a droga a modo de encobrimento de seu abuso”. Goodman se limita a dizer que é ridículo e não dá nenhum argumento pelo qual se possa excluir esta possibilidade na vida real.
A verdade é que muitas adolescentes mantêm relações com namorados que já têm a maioridade. Estes homens, culpados de uma violação tipificada na lei, freqüentemente induzem as suas vítimas ao aborto, o que constitui uma poderosa razão pela qual se precisa da Ata de Custódia e Proteção do Menor. Desse jeito, quando a PDS esteja ao alcance em qualquer farmácia, quem poderá duvidar que estes mesmos sujeitos a comprarão e pressionarão as suas novíssimas namoradas a tomá-la de maneira repetida cada vez que não se use ou falhe a “proteção anticoncepcional” normal? Depois de tudo, que outra coisa demonstraram estes sujeitos senão um grande interesse pelo sexo satisfatório e prazenteiro para si mesmos?
E qual é a idade destes indivíduos? De acordo à Catedrática Teresa Stanton Collett da Faculdade de Direito da Universidade de Saint Thomas de Minnesota em um testemunho oferecido no Congresso dos Estados Unidos, homens maiores de 25 geram mais filhos com as jovens adolescentes de Califórnia. Os pais dessas crianças não são adolescentes. A nível nacional, dois terços das mães adolescentes têm parceiros maiores de 20. As garotas de 15 ou menos que dão a luz em Califórnia, têm parceiros 6 ou 7 anos mais velhos. Assim, acontece que o pai do filho de uma adolescente de 15 tem freqüentemente 21 anos ou mais. Graças a Hillary Clinton e a uma pusilânime FDA, dentro de muito pouco tempo, este homem poderá legalmente comprar uma caixa de PDS junto com um pack de 12 cervejas para alcoolizar a sua jovem namorada.
“Os políticos estão tratando de obter a aprovação da FDA através de uma série de táticas de pressão muito forte que não dão lugar a avaliações sobre segurança para a saúde da mulher...” disse na sexta-feira passada o Dr. David Stevens, diretor executivo da Christian Medical Association (CMA). “Esta ação da FDA parece estar fundamentada em questões de índole política e ideológica em lugar de evidência científica. Não tem nenhuma lógica oferecer uma poderosa dose de hormônios sem receita quando as doses baixas dos mesmos hormônios contidos nas pílulas anticoncepcionais convencionais requerem a prescrição de um médico.”
Entretanto, ainda existe a esperança que von Eschenbach tome a decisão certa.
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1Joseph A. D'Agostino é Vice-presidente de Comunicações do Population Research Institute
2As siglas OTC (over the counter) significam "sobre o balcão" e normalmente se utilizam para medicamentos que pela sua apresentação ou dosificação podem ser utilizados sob risco nenhum, razão pela qual podem ser vendidos sem receita médica. |
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