Ilustremos nossa idéia com alguns exemplos.
a) A Emenda Kemp Kasten:
Por meio desta emenda, nenhuma organização que participe ou apóie programas que incluam abortos forçados ou esterilizações involuntárias receberá recursos de USA. A aplicação desta normativa fica a critério do Presidente dos Estados Unidos.
A evidência que apresentou Population Research Institute foi uma investigação de campo (repetida em várias oportunidades) que mostrou o apoio logístico e econômico do UNFPA à Política de um só filho do governo comunista da China. Por vários anos consecutivos apresentaram novas evidências de abortos forçados (inclusive abortos tardios) e esterilizações involuntárias, assim como uma série de outros abusos aos direitos humanos.
O lucro mais importante ao respeito foi cortar-lhe os recursos de USA ao UNFPA que até hoje já somam mais de 100 milhões de dólares e a conta continua em aumento. Mas não menos importante foi o apoio político mundial que UNFPA perdeu com esta decisão.
Por outro lado, mostrou-se o horror que significa levar adiante esta ideologia. China é o arquétipo do controle populacional para o qual vão querer direcionar aos outros países. Assim o disseram personalidades como Nafis Sadik e os mais altos funcionários da IPPF, Population Council e outros. Foi porque a China é um país onde não há nenhum respeito à pessoa. O sistema totalitário que impera, assim o permite. Graças a este trabalho do PRI, mostrou-se ao mundo como seria um mundo onde levem adiante todas as propostas anti-natalistas.
b) Política de Cidade do México:
Esta política proibe que as organizações que recebem recursos do USAID em planificação familiar promovam ou forneçam serviços de aborto como método de planificação familiar, seja com recursos próprios ou de terceiros. A política de Cidade do México foi implementada por primeira vez pelo Ronald Reagan, logo derrogada com os democratas no poder, e volta a implementar como o primeiro ato de governo do atual Presidente Bush.
O escritório da América Latina do Population Research Institute apresentou um vídeo de um evento realizado em Piura (cidade costeira ao norte do Peru) Este evento foi auspiciado pelo USAID tal como o mostrava o logotipo do USAID impresso em uma faixa detrás da mesa dos expositores. O evento se centrava na promoção de um projeto de lei de Saúde Reprodutiva que considerava que se deviam eliminar todas as barreiras legais ao aborto para garantir os direitos cidadãos. O vídeo mostrava também a participação de representantes de movimentos feministas e outras organizações financiadas pelo USAID que expuseram sua posição a favor da despenalização do aborto.
Com esta evidência se conseguiu deter o projeto de lei de saúde reprodutiva pois os oficiais do USAID no Peru deixaram de apoiar financeiramente este projeto. Foi muito gráfico como o conceito de saúde reprodutiva quer ser utilizado na América Latina para escavar as leis que penalizam o aborto. Foi interessante ver como todo a coalizão anti vida no Peru ficava à defensiva pois havíamos atingido seu centro nevrálgico: seu acesso a recursos americanos. E fizeram tudo por se defender durante vários meses e sabemos que a melhor defesa é o ataque. Extra oficialmente soubemos da visita do congressista peruano autor do projeto de saúde reprodutiva aos escritórios de congressistas dos Estados Unidos procurando retratar-se de seu apoio ao aborto legal e liberar de toda responsabilidade aos funcionários do USAID no Peru.
c) Emenda Tiarth:
A investigação realizada pelo Population Research Institute sobre a campanha de esterilizações maciças no Peru e os testemunhos de mulheres afetadas no Congresso de USA fizeram possível que nenhum programa de Planificação Familiar financiado pelo USAID inclua estabelecimento de cotas, incentivos para usuários ou pessoal de saúde, castigos a usuários por recusar participar, desonestidade na informação sobre os métodos, nem experimentação de drogas sem consentimento.
Uma equipe do Population Research Institute viajou ao Peru a realizar uma investigação de campo e sentou as bases de investigações futuras do Ministério de Saúde e do Congresso Peruano onde se documentou as diversas violações aos direitos humanos. Entre estas houve mortes por complicações de operações feitas em condições sanitárias deploráveis, levadas a cabo por pessoal não idôneo e quase nula atenção posterior à cirurgia. Houve evidência de cotas dos mais altos funcionários como a participação comprovada do presidente Fujimori e vários Ministros de Saúde que se sucederam no cargo até enfermeiras que deveram submeter-se elas mesmas a uma ligadura de trombas para poder chegar a sua cota e não perder seu emprego. Também se comprovou incentivos e castigos às usuárias que recebiam ou lhes eram negados mantimentos ou serviços de saúde em troca de sua participação nas esterilizações maciças.
Por causa das denúncias se conseguiu congelar todos os recursos de cooperação de USA no Peru e se deteve a campanha do Fujimori que chegou a esterilizar ao redor de 400,000 pessoas, a maioria delas mulheres. Além disso se sentou um precedente a nível mundial mostrando uma vez mais como o controle natal e o totalitarismo são absolutamente compatíveis no ideológico e uma mistura explosiva na prática.
d) Política de neutralidade sobre a chamada “Anticoncepção de Emergência”:
Esta é uma política não escrita. Entretanto, USAID manifestou seu desejo de não participar diretamente naqueles temas controversiais. Sobre tudo quando eles estão sendo discutidos pelos poderes do Estado. É uma política de sentido comum pois não seria justo um debate onde uma das partes conta com dinheiro de contribuintes dos Estados Unidos para publicitar uma posição ideológica ou política contra outra parte que não dispõe dos mesmos meios.
No Peru, o uso do Levonorgestrel 0.75mg conhecida também como a “Pílula do Dia Seguinte” gerou uma polêmica ainda pendente de solução tanto no Congresso como no Poder Judicial. No Congresso está pendente a acusação constitucional à Ministra de Saúde não só por faltar à proteção constitucional do concebido mas também por faltar à verdade ao pretender esconder o efeito anti-implantatório da droga. No Poder Judicial existe um falho de um juiz de primeira instância que ordena a detenção da distribuição da droga nos centros de saúde pela mesma falta de informação. O Ministério de Saúde apelou e se espera nestes dias a decisão final na segunda instância do Poder Judicial.
O Escritório da América Latina do Population Research Institute apresentou como evidência uma cópia de um programa de TV a cabo financiado pelo USAID e conduzido pelo grupo feminista Manuela Ramos. Nele as apresentadoras criticavam duramente ao juiz que ordenou a detenção da distribuição e se insultava aos membros da Igreja Católica. Também se apresentou uma cópia de um Relatório da Defensoria do Povo onde se citavam fraudulentamente alguns estudos para dar a idéia de que a medicina atual já tinha descartado a existência do efeito anti-implantatório do Levornorgesterel 0.75 mg. Ambos, programa de TV e a cópia do Relatório distribuído gratuitamente, tinham o logotipo do USAID explicitando seu auspício.
Em um fax dirigido até o nosso escritório nos comunicou a decisão do USAID de iniciar os passos para o reembolso de dinheiro mau utilizado por Manuela Ramos e a Defensoria do Povo. Além disso não haverá mais recursos do USAID para a campanha de desinformação sobre a “Anticoncepção de Emergência”. Entretanto, o mais importante é que deixamos fora a essa desigual vantagem que tinham no debate e a ação judicial seguiu seu curso com maior eqüidade. |