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Boletim 15 (09/05/2005) PDF Imprimir
Extratos da última entrevista concedida pela Dra. Blanca Neira Sobre o papel da mulher na atualidade e a ideologia de gênero (Abril, 2005)
Boletín 15

Com certeza quando você se apresentou à Casa do Pai Eterno, muitos dos garotinhos por nascer aos que defendeu saíram para te buscar. Reconheceram-lhe e seguro lhe contarão como foi que salvou seu corpo ou sua alma. Eles falarão por ti agora. Também lhe farão lembrar se foi em tal conversa ou em tal viagem, pessoalmente ou través de um meio de comunicação, ou possivelmente se foi em um colégio, em um hospital, no seu consultório, na paróquia ou no CEPROFARENA. Desfrutará agora cada história, cada vida tocada pela obra que fez.

Com maior certeza, sabemos que sua felicidade será agora mais plena compartilhando com Aquele a quem serviu.

Obrigado, Blanca, muito obrigado.

Por sua vida que foi um exemplo.
Por sua entrega que inspirou a tantos.
Por sua fé que compartilhou ...e multiplicou.
Por seus ensinos, hoje tarefa para muitos que lhe seguem.
Por sua generosidade tão escondida aos olhos do mundo.
Por sua valentia que nunca fez cálculos.
Por sua alegria, um presente para todo aquele que se topou contigo.

Com certeza quando você se apresentou à Casa do Pai Eterno, muitos dos garotinhos por nascer aos que defendeu saíram para te buscar. Reconheceram-lhe e seguro lhe contarão como foi que salvou seu corpo ou sua alma. Eles falarão por ti agora. Também lhe farão lembrar se foi em tal conversa ou em tal viagem, pessoalmente ou través de um meio de comunicação, ou possivelmente se foi em um colégio, em um hospital, no seu consultório, na paróquia ou no CEPROFARENA. Desfrutará agora cada história, cada vida tocada pela obra que fez.

Com maior certeza, sabemos que sua felicidade será agora mais plena compartilhando com Aquele a quem serviu.

Livro de Condolências

Sabemos que muitos conheceram a Dra. Branca Neira não somente no Peru. Tendo recebido alguns mais da Costa Rica, Argentina, Chile e outros países, decidimos abrir um Livro de Condolências virtual para entregar a seus familiares nos próximos dias. Pode se somar a esta iniciativa com um correio eletrônico a:

amigosdeblanca@lapop.org

 

“Efetivamente quando iniciei a especialidade não existiam neuro cirurgiãs mulheres. Fui pioneira da especialidade na América do Sul. Passaram os anos e não me arrependo porque é uma especialidade muito formosa. Não errei em minha vocação”.

“(A mulher na vida profissional) é um caminho que pode tomar qualquer mulher. O que não está bem é optar por ser profissional e desmerecer a atividade da mulher no lar, a maternidade em si mesma e a capacidade de fazer coisas como dona-de-casa. Não estão brigadas ambas as opções. Atualmente se apresenta a maternidade como uma carga e a mulher optou pela vida profissional”.

“As circunstâncias estão obrigando às mulheres, muitas delas a seu pesar, a sair a trabalhar fora porque no lar se desqualifica seu trabalho. Um, porque não tem horário de entrada nem de saída. Não marca cartão. Dois, não recebe honorários. Não lhe pagam absolutamente nada. É a primeira em levantar-se e a última em deitar-se. E finalmente não tira um produto imediato. O produto o tira quando o jovem tem 20 ou 21 anos e é todo um profissional. Esse desmerecimento, essa falta de reconhecimento do trabalho da mulher no lar é o que levou a que muitas mulheres saiam fora. O homem chega a casa e não se dá conta das coisas boas. Quando fala é porque a sopa esteve fria ou porque não encontra seu jornal”.

“As mulheres somos iguais na nossa dignidade mas com as nossas diferenças. Somos ambos os dois imagem da ternura de Deus mas temos nossas diferenças. Essa diversidade na complementareidade é maravilhosa. Por isso estou contra a ideologia de gênero...tratam de nos vender a idéia de que a mulher é mulher por uma cultura machista”

“O que vejo é que isto de maneira nenhuma vai favorecer à mulher mas pelo contrário, está fazendo muito dano. Muitíssimos homens querem que a mulher trabalhe porque lhes resulta mais fácil levar o orçamento da casa complementando-o com o dinheiro da mulher. Mas não se dão conta que os eternos esquecidos deste drama de maridos são os meninos que ficam esquecidos. A Mulher de agora não transmite crenças só transmite idéias porque não tem tempo. Antes a mulher podia sentar-se a falar com o jovem, com a menina ou com o menino. Agora com uma frase ´soluciona´ a pergunta da criatura”

”A Mulher de agora não transmite crenças só transmite idéias porque não tem tempo... Acredita que com uma frase ´soluciona´ a pergunta da criatura”

“Há um divórcio entre sexualidade e procriação. Antes só era sexo sem filhos, agora também é filhos sem sexo (fertilização in vitro). E isto esteve muito promovido pela anticoncepção artificial...fala-se da auto realização da mulher liberando-a da carga da maternidade”

“A tarefa que nos espera é muito dura porque há muitos interesses econômicos. E a realidade é que isto não o dirigem as mulheres. Isto o dirigem os homens. O dinheiro que provém para isto não é das mulheres nem de capitais femininos. Vem da Rockefeller, do Banco Mundial, do Fundo Monetário. São entidades que dão muitíssimo dinheiro para financiar os programas que auspiciam a ideologia de gênero”.

“Mas como diz João Paulo II ´a Verdade nos fará livres´. E no final a verdade florescerá. eu adoraria que o Peru inteiro lesse a Encíclica “O Esplendor da Verdade (Veritatis Splendor)”

“Muito difícil é esta luta mas só com a verdade poderemos construir homens e mulheres novos”

“E acredito que tive a sorte ao escolher a medicina porque o sentido de minha vida é dar. E acredito que todos devemos procurar isso: dar. Não ficar nas coisas terrestres...senão procurar coisas com maior trascendência”.

 

O Peru perde a incansável defensora dos não nascidos
Reprodução da nota de Aciprensa ao dia seguinte de sua morte

A infatigável líder pro-vida e destacada neurocirurgiã católica, Blanca Neira Canales, partiu ontem à Casa do Pai. Seus restos são velados na Igreja Medalha Milagrosa de São Isidro e hoje serão sepultados no cemitério Jardins da Paz.

Amigos, colegas e simpatizantes da causa pro-vida recordam a Blanca como uma mulher de fé, que se gastou e desgastou por defender aos não nascidos.

Reconhecida neurocirurgiã, era coordenadora no Peru da organização Human Life Internacional, foi presidenta do Centro de Promoção Familiar e de Regulação Natural da Natalidade (CEPROFARENA) por vários períodos e atualmente presidia a organização do II Congresso Internacional Provida que se realizará no Peru em novembro próximo.

Blanca faleceu durante uma intervenção cirúrgica que lhe praticavam devido a uma doença cardíaca. Tinha 64 anos de idade e dedicou a maior parte de sua vida à promoção da vida e os métodos naturais de regulação da natalidade. Nos últimos 25 anos, CEPROFARENA treinou a meio milhão de pessoas nestes métodos.

O Padre Thomas Euteneuer, presidente do Human Life International, disse de Blanca que foi “uma realista e uma lutadora”. “Uma moderna São Felipe Neri que gozou do melhor humor do mundo e fez mais que ninguém para organizar as energias da gente de boa vontade para trabalhar a favor da vida”, indicou.

Blanca Beatriz Neira Canales nasceu em Arequipa em 1 de abril de 1941. Estudou medicina na Universidade Cayetano Heredia, formou-se como neurocirurgiã e realizou uma especialização em Chicago.

Desde muito pequena avaliou a vocação à vida missionária e logo descobriu um especial chamado à causa da vida. Foi uma das grandes promotoras da Lei do Dia do Menino por Nascer no Peru.

Durante décadas apresentou diante de estudantes, profissionais, e famílias, o valor da vida humana e o Método Billings. Foi criadora de uma iniciativa de adoção espiritual dos não nascidos.

Durante um responso devotado em sua memória, o Bispo Auxiliar de Lima, Dom José Antonio Eguren, assinalou que “Blanca foi uma mulher que viveu o Cristianismo com coragem, que viveu incansavelmente a defesa da vida, especialmente do indefeso não nascido. A fineza do Senhor foi levar-lhe em domingo, o dia da vida porque Jesus ressuscitou, e justo ao início de maio, mês da María”.

Sua irmã Elena Neira revelou que em seus momentos de agonia, Blanca manifestou que oferecia suas dores intensas pelas feministas peruanas, identificadas com o abortismo, para que assumam a defesa da vida.

Segundo Martín Tantaleán, atual presidente CEPROFARENA, “seu imenso coração lutou durante várias horas, mas se abriu ao chamado do Senhor; esse coração estava afligido constantemente pela preocupação de defender a vida com a vida e assim o tem feito até o final”.

 

ATÉ LOGO, BLANQUINHA

Por Alvaro Fernández, publicado em Viver em Família, Montevidéu, Uruguai. (07.05.2005)

Foi em Madri. Acabávamos de chegar ao Congresso Internacional Provida e eu estava colocando uns livros sobre uma mesa. aproximou-se uma elegante senhora e se apresentou sem muito pre-âmbulo: "Blanca Neira, do Peru". Asimm a conheci. Ao princípio, pareceu-me de gênio muito forte. E assim era ela: enérgica, forte, corajosa, tenaz. Em alguns jantares que compartilhamos a segui conhecendo, e me seguiu impactando a firmeza de seu caráter. Mas também comecei a descobrir outras arestas de sua personalidade. Entre elas, seu senso de humor, sua sã picardia.

Apenas um mês mais tarde, a encontrei novamente em Miami, em um Encontro de Afiliados a Vida Humana Internacional. Chegou com a mesma energia e a mesma personalidade forte. Mas ao partilharmos passéios e momentos livres, fui conhecendo "a outra Blanquinha": fui descobrindo pouco a pouco, que sua força de espírito estava animada por um sentimento maternal; que tinha um coração enorme, profundo, exigente, que transbordava generosidade, bondade e carinho como poucos. Um coração preocupado, entre outras coisas, por limar asperezas entre certos grupos provida. Estava empenhada em lhe cortar a cauda ao diabo...

Lembro que, quase ao final do Encontro, não me senti bem. Alguma coisa que comi não me fez bem. E lá apareceu Blanquinha para fazer-se cargo. Até me proporcionou sus próprias pastilhas...

Mais tarde, desde a sé de Vida Humana em Miami, chamou a sua irmã. Passou-me o telefone para que falasse com ela. Não tive pior ideia que lhe contar que Blanquinha, tinha-me cuidado "como uma mamãe..." Para que! Que bronca que me deu! Como ia dizer que era como uma mãe? Não, não! Em todo caso, como uma irmã mais velha. Que se não a fazia parecer muito velha! Sempre tinha essas saídas: rápidas, faiscantes, engraçadas. E até coquetes, se quiser.

Essa noite nos deixou no hotel. Despedimo-nos com um "Até Lima 2005!" Mas o bom Deus tinha outros planos...

Quando uma amiga vai embora...

Não há palavras para descrever a Blanquinha. Em poucos dias, mais que uma amiga, me fiz de... Uma irmã mais velha. Por isso, quando me chegou a noticia de seu falecimento, não podia acreditar. No acertava a compreender -e ainda não acerto, porque me dói nuito a sua partida- por que Deus se levou a esta maravilhosa mulher que tanto, tanto, tanto estava fazendo pela vida dos meninos por nascer e pela família. E pela Igreja. No Peru e do Peru, para o mundo inteiro. Possivelmente Deus não pôde esperar a tê-la perto. Quem sabe... O certo é que Ele sabe mais, e que Blanquinha está com Deus. Que dúvida cabe? Mas que dói, dói...

Até logo Blanquinha. Até mais tarde, irmã. Interceda por mim. A ver se algum dia, nos reencontramos no Céu!

 

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