Dom Dimas Lara Barbosa, Bispo e atual Secretário da Conferência Episcopal Brasileira, lendo a Declaração Final do I Congresso Internacional de Defesa da Vida.
A Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil CNBB acaba de divulgar um importante documento que poderá, em um futuro próximo, converter-se em uma referência fundamental para a defesa da vida na América Latina. A particularidade de dito documento é a denúncia clara e explícita às organizações que promovem o aborto e a cultura de morte.
Fazendo uma recontagem histórica da imposição do controle natal e o aborto na América Latina, descreve-se ao Population Council, às fundações Rockefeller, Ford e Gates e ao Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, entre outros organismos internacionais de crédito, como as grandes fontes financeiras e ideológicas do aborto e controle natal internacional. Menciona-se também a diversos órgãos e agências das Nações Unidas (leia-se Fundo de Nações Unidas para Atividades em População – UNFPA, UNICEF, Organização Mundial da Saúde – OMS, entre as principais) como promotores da legalização do aborto em vários países da América Latina.
É obvio, nesta lista não podia faltar IPPF (Federação Internacional de Paternidade Planejada) beneficiário econômico direto de uma pretendida legalização do aborto. Também denunciaram a suas filiais locais (no Brasil por exemplo, BemFam), e seus organismos satélites, como o GPI (Grupo Parlamentário Interamericano de População e Desenvolvimento). Menção à parte mereceu IPAS, principal fornecedor de máquinas de sucção para abortos precoces que atualmente vem oferecendo cursos de capacitação em práticas de abortos para médicos com desculpas como a do “aborto terapêutico” ou o “aborto incompleto”.
Todo este conglomerado constitui uma “rede internacional” que recrutou a diversas organizações não governamentais (ONGs) locais que também promovem o feminismo, a educação sexual liberal e o homossexualismo.
Episcopado Brasileiro em campanha pela Defesa da Vida
Neste ano o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto às Nações Unidas se comprometeu a descriminalizar completamente o aborto no Brasil. Diante dessa ameaça, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) decidiu dedicar o tema da presente Campanha da Fraternidade à Defesa da Vida e ao aborto.
Do mesmo modo, realizou-se o I CONGRESSO INTERNACIONAL de Defesa da Vida na Basílica de Nossa Senhora Aparecida entre 6 e 10 de fevereiro. Neste santuário que é o terceiro templo de maior importância no mundo, reuniram-se bispos, sacerdotes, representantes de diversas entidades internacionais e numerosos peritos em bio-ética e lideranças pró-vida tanto do Brasil como de vários países do mundo. O evento foi coordenado pela Diocese do Taubate e teve o apoio do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM).
Na mensagem de abertura o Bispo da Diocese de Taubate e Presidente da Comissão Diocesana em Defesa da Vida, Dom Carmo João Rhoden SCJ, assinalou “Estamos aqui para defender a vida humana, ameaçada no mundo de hoje como jamais se observou em toda a história da humanidade. Atualmente, há países aonde o aborto está legalizado durante os nove meses de gestação e outros que se preparam para descriiminalizá-lo totalmente, o que equivaleria ao mesmo. A Organização da Nações Unidas (ONU), observando que já está suficientemente enraizada a cultura do aborto, pretende reconhecê-lo não mais como um mal menor a ser tolerado, mas sim como um direito humano fundamental…”
Citando ao pontífice João XXIII advertiu sobre o perigo da introdução de uma Cultura de Morte: "… uma cultura intencionalmente e planejadamente construída para destruir a mesma idéia de Deus. Esta cultura não somente se satisfaz em lutar desde fora contra a Igreja, mas também invade suas posições-chave, penetra até no mesmo espírito de seus membros, inclusive de religiosos e sacerdotes, e os polui silenciosamente com seu veneno. Por meio de seus membros mais conscientes, esta nova sociedade trabalha de uma maneira muito eficaz: utiliza os meios de ciência e da técnica, as possibilidades sociais e econômicas; prossegue imperturbavelmente na execução de uma estratégia cuidadosamente elaborada; exerce um domínio quase absoluto nas organizações internacionais, nas sociedades financeiras, nos meios de comunicação social,…
Denunciar aos lobos que vêm atacando o rebanho
Na missa de encerramento celebrada em domingo 10 de fevereiro, Dom Dimas Lara Barbosa, atual secretário geral da CNBB, leu a DECLARAÇÃO DE APARECIDA EM DEFESA DA VIDA diante de cerca de 40 mil participantes.
A seguir reproduzimos parte desta histórica declaração:
“Depois de termos estudado e refletido sobre tais princípios, sobre suas conseqüências e sobre fatos fartamente documentados da história recente, DESTACAMOS que:
- O aborto, químico ou cirúrgico, foi utilizado pelos países desenvolvidos como a principal ferramenta para sustentar uma política global de controle populacional. Desde 1952, com a aparição do Conselho populacional, aos quais se somaram, mais tarde, a Fundação Rockefeller, Ford, Gates e outras, está sendo implantado internacionalmente um programa populacional destinado ao controle demográfico do planeta. O projeto inclui a disseminação de uma mentalidade anti-natalista, compreendendo a implantação de contraceptivos, o aborto legal e outros ataques contra a vida, dentro de uma perspectiva geopolítica e eugênica que decidiu priorizar o combate à pobreza impedindo aos pobres de ter descendência em vez de investir no desenvolvimento econômico. dentro desta nova perspectiva, a anticoncepção, o aborto e também a eutanásia se tornaram parte de uma política demográfica, integrada a uma política mais ampla de globalização, que procura a implantação do monopólio econômico.
- Dos anos 80, por consenso estratégico, elaborado pelas grandes Fundações que promovem o aborto, as políticas de controle populacional foram apresentadas a propósito camufladas sob a aparência de uma falsa emancipação da mulher e da defesa de pretendidos direitos sexuais e reprodutivos, difundidos através da
criação e do financiamento de uma rede internacional de organizações não governamentais (ONGs) que promovem o feminismo, a educação sexual liberal e o homossexualismo.
- A Organização da Nações Unidas (ONU), da década de 1980, comprometeu-se com as políticas de controle populacional, que constituem, atualmente, um dos grandes pólos de suas ações. Através de seus comitês de controle, a ONU tem a propósito fomentado o desenvolvimento de uma jurisprudência no campo do direito internacional pela qual se pretende preparar o reconhecimento do aborto como um direito humano. Através de vários de seus órgãos e de suas agências, a ONU foi um dos principais organismos internacionais promotores da legalização do aborto nos países da América Latina.
- Os organismos internacionais de crédito, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, entre outros, outorgam créditos para o desenvolvimento de nossas nações condicionado às metas políticas de controle populacional.
- Vários países da União Européia estão implicados na difusão internacional do aborto e do controle populacional, destinando para isso importantes somas de dinheiro e usando sua influência política.
- A IPPF (Federação Internacional de Paternidade Planificada), que constitui a segunda ONG mais capitalista do mundo, depois da Cruz Vermelha Internacional, com suas filiais locais (no Brasil, a Bemfam), e seus organismos satélites, como o GPI (Grupo Parlamentar Interamericano de População e Desenvolvimento) e o IPAS, principal fornecedor de máquinas de sucção para abortos precoces e de cursos de capacitação em práticas de abortos para médicos, tem como objetivo respectivamente a implantação, nos países em desenvolvimento, da contracepção, esterilização, aborto e treinamento de profissionais da área da Saúde para a incorporação dessas práticas.
- Parlamentares, profissionais da área da Saúde, universitários, meios de comunicação social, a classe jurídica, foram pressionados e influenciados pelos promotores desta cultura da morte.
- Os governos, seja por omissão ou por cumplicidade, em sua maior parte decidiram estas pressões implantando programas ou políticas populacionais, ou inclusive, como no caso do Brasil, propondo a total e completa descriminalização do aborto, com o que a prática se tornaria legal durante os nove meses de gestação.”
Chamado a criar uma cultura de Vida
O Episcopado Brasileiro e todos os aderentes à mencionada Declaração fizeram um chamado a “exigir o cumprimento da ação efetiva da defesa da vida, por todas as instituições, organismos e níveis de poder relacionados, o respeito integral à vida e à dignidade humana, assinalando como primeiro, o requerimento à Organização das Nações Unidas por decretar a moratória sobre a pena de morte no mundo, especialmente dos não nascidos, dos anciões e dos deficientes.”
E finalmente expressaram seu propósito por que “esta declaração seja um solene compromisso com a cultura da vida, para que todos tenham vida e a tenham em abundância.”
Pode ler o íntegra da DECLARAÇÃO DA APARECIDA EM DEFESA DA VIDA em http://www.cnbb.org.br/index.php?op=noticia&subop=17312 |