Boletim 40 (14/02/2008) PDF Imprimir


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Cortar as trombas de falópio de uma mulher nem sempre evita a gravidez, simplesmente evita que o embrião em desenvolvimento se aninhe no útero. As mulheres que foram esterilizadas em campanhas de controle populacional mediante este método estão em particular risco de morte, pois aqueles que realizam o procedimento não as alertam da possibilidade de sair grávidas novamente e ter uma gravidez ectópica.

Os promotores do controle natal estão constantemente falando sobre “saúde reprodutiva”, e sobre seu suposto “desejo fervente” por reduzir a mortalidade materna em todo mundo. Esta é a desculpa que utilizam para impulsionar a anticoncepção, a esterilização e obter a legalização do aborto em todos os países em vias de desenvolvimento no mundo. E sabemos de sobra que se trata só de uma estratégia para encobrir seu verdadeiro propósito: controlar o incremento populacional do mundo.

Entretanto, os programas de “saúde reprodutiva” são mais nocivos ainda. Os bebês e as crianças não são os únicos que sofrem por isso. As mães e as famílias, cujas vidas teriam podido ser melhoradas por um verdadeiro cuidado e serviço assistencial em saúde, também resultam sendo afetadas.

Em outras palavras: o trabalho relacionado com o aborto e a anticoncepção do USAID ou Ipas não só fracassou em sua missão de melhorar as condições de saúde, senão que na realidade terminam também causando um dano considerável às mulheres. Obcecados em reduzir a fertilidade dos pobres tanto quanto for possível, estes promotores do controle natal vieram descuidando e ocultando outras necessidades em saúde. Podemos mencionar alguns exemplos:

1.         Os programas de planificação familiar ocultam deliberadamente problemas médicos para negar cuidados médicos de rotina, como os exames físicos, em nome da eficiência.
2.         Outras vezes involuntariamente, ou às vezes com total consciência, ocasionam problemas de saúde tais como gravidezes ectópicas posteriores à esterilização, os quais normalmente ignoram.
3.         Em alguns casos inseriram DIU´s não estéreis e perigosos em mulheres de países em desenvolvimento, ou experimentaram potentes anticoncepcionais a base de esteroides aplicados sem o conhecimento dessas mulheres. Estes atos, ao vê-los em retrospectiva, têm todas as características de fatos criminosos.

Cada uma destas práticas lesa ou inclusive mata às mulheres. Isto é o que nós entendemos como mortalidade nos programas de “saúde reprodutiva”: As mortes que resultaram do abuso e uso indevido desses programas.

Frances Hand Ferguson, que alguma vez foi vice-presidente da Federação Internacional de Planejamento Familiar (Internacional Planned Parenthood  Federation, IPPF) disse: “Eu prefiro fazer menos serviços bons para mais pessoas, do que serviços muito perfeitos para poucas pessoas". Este é o mesmo discurso que continua mantendo a IPPF, a julgar pelo que aconteceu com Pamela Maraldo, quem foi por breve tempo presidenta da instituição nos anos noventa, mas cujo período chegou a seu fim quando tratou de ampliar o elenco de serviços de saúde oferecidos pelas clínicas do IPPF.  A principal organização dos Estados Unidos em promover o aborto, a esterilização e a anticoncepção não tinha nenhum desses serviços.

A situação é similar para o USAID, a qual inclusive oficialmente repreendeu a Planned Parenthood por fornecer cuidados de saúde “desnecessários”. Com muita freqüência se queixavam de que  “os programas de planejamento familiar impõem numerosas barreiras médicas aos serviços dos que estamos convencidos atrapalham a efetividade do programa e seu impacto, especialmente os anticoncepcionais hormonais. Exemplos comuns do que entendemos por barreiras médicas incluem testes de laboratório desnecessários; exames físicos excessivos… excessivas consultas e história clínica –se realiza de tal forma que se recolhe bastante informação irrelevante e poucos dados importantes. O efeito disto faz que incremente o tempo de espera e se atenda a poucos clientes”.   

Tais práticas respaldam a afirmação que quando se começou com o tema da saúde da mulher, USAID estava mais preocupada com quantas mulheres eram esterilizadas ou quantas usavam anticoncepcionais em vez do que saber quantas estavam saudáveis, inclusive quando a saúde é definida estritamente em termos “reprodutivos”. 

Que tão “desnecessárias” e “supérfluas” som as “barreiras” que querem eliminar?

A maioria dos chamados anticoncepcionais “modernos” foram provados em campos de teste em mulheres saudáveis dos países desenvolvidos. Mas seu uso indiscriminado em mulheres de países em desenvolvimento que estão desnutridas, anêmicas ou sofrem de outros problemas de saúde pode ter um efeito devastador. Muitas mulheres em Bangladesh as que esteve sendo administrado Norplant, por exemplo, sofrem sérios efeitos secundários. Segundo Farida Ahktar, uma ativista preocupada com a difícil situação das mulheres pobres, as mulheres de Bangladesh que receberam Norplant sofrem efeitos secundários muito mais sérios do que aqueles admitidos pelos mesmos partidários do Norplant: hemorragias continuas muito mais fortes do que uma menstruação normal, debilidade nos membros, fortes dores e, grandemente, visão imprecisa ou dupla.

O Dr. Stephen Karanja, antigo Secretário da Associação Médica da Quênia e um gineco-obstetra que treina a outros novos, freqüentemente vê pacientes que foram danificadas por estes poderosos anticoncepcionais desenvolvidos em base a esteroides. “A pressão alta nunca foi realmente um mal importante na África”, explicou o Dr. Karanja, “mas agora temos mulheres com coágulos de sangue, com problemas no fígado e com problemas de hemorragias. Na África as enfermidades tropicais provocam já de por si debilidade em mulheres com baixos níveis de hemoglobina. Mas quando elas sofrem de hemorragias irregularmente ou contínuamente devido a estes anticoncepcionais, literalmente se lhes reduz à categoria de aleijadas. A mulher é o eixo da família africana. Se quisermos destruir a família africana, primeiro ataquemos à mãe. E eu me pergunto, por que os Estados Unidos atacam o eixo da família africana? Estas mulheres caminham ao redor com dificuldade devido à anemia, com os pés inchados, com seus fígados danificados. Existem mulheres que vão caminho a sofrer um ataque ao coração devido às hemorragias, devido às drogas anticoncepcionais”.   

O Dr. Karanja é particularmente crítico do indiscriminado “marketing social” da Depo-Provera. Notou que isto “causa terríveis efeitos secundários às pessoas pobre da Quênia, a quem inclusive não lhes pratica revisões médicas competentes antes de lhes aplicar as injeções hormonais”.

As mulheres africanas a quem lhes está dando sem nenhum reparo poderosos anticoncepcionais a base de esteroides, freqüentemente não são informadas dos graves efeitos secundários que podem apresentar-se como resultado de seu uso. No website, os fabricantes do Depo-Provera enumeram uma lista longa de complicações sérias que podem ser causadas pela droga, incluindo “atrasos em abortos espontâneos”, “anormalidades no feto”, “desordens trombóticas” (coágulos de sangue), “desordens oculares” (“perda repentina parcial ou completa da visão”) e “lactação” (o transpasse das drogas através do leite materno para o bebê). A Depo-Provera tem uma apresentação desenhada especialmente para surpreender às confiadas mulheres da Quênia. Porém, ainda assim , contém alguns riscos que não são para nada desdenháveis.

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Anticoncepcionais proibidos pela FDA foram vendidos ao USAID para seus programas de controle natal nos países do terceiro mundo.

A distribuição indiscriminada de anticoncepcionais às mulheres nos países em desenvolvimento, que geralmente sofrem de desnutrição e com uma saúde fraca, é muito perigoso para sua saúde.

E, como sugeriu o Dr. Karanja, a falta de cuidado no seguimento médico pode ser fatal em alguns casos. Assim por exemplo o perigo de uma gravidez ectópica como conseqüência de uma esterilização. Cortar as trombas de falópio de uma mulher não sempre evita a gravidez, tão somente evita que o embrião em desenvolvimento se aninhe no útero. Em vez disso, o embrião se implanta no lugar da obstrução, uma condição perigosa usualmente conhecida como uma gravidez ectópica. O problema está em que a magra parede da tromba não pode sustentar uma gravidez além de um par de meses de gestação, e quando esta se quebra o resultado é uma hemorragia que freqüentemente é mortal. As mulheres que foram esterilizadas em campanhas de controle populacional, seguindo este procedimento de moda, estão em particular risco de morte devido a que quem realiza o procedimento não as alerta a respeito da possibilidade de que possam sair grávidas novamente e ter uma gravidez ectópica.
Em alguns casos, simplesmente fazem como se não percebessem perante estes problemas, mas em outros deliberadamente ficaram envolvidos em atos pouco éticos, por não dizer criminais.

Depois de que em 1970 a FDA declarou que as pílulas anticoncepcionais com alto conteúdo de estrogênio eram inseguras, os armazéns das companhias farmacêuticas estavam cheios de  anticoncepcionais não proprios para a venda. Os executivos de Syntex ofereceram vender ao USAID seu estoque completo com um desconto significativo no preço, uma oferta que o Escritório de População de USAID, a quem pouco preocupa a segurança tanto como assegurar uma anticoncepção barata, esteve feliz de aceitar. 

O Dr. Malcom Potts, um destacado  investigador de anticoncepcionais que trabalha como diretor médico da IPPF, esteve entre aqueles que defendeu esta decisão de distribuir as perigosas pílulas. As regulações na anticoncepção oral da FDA nos Estados Unidos era, em suas próprias palavras, “um tremendo sem sentido”, e sustentou que o alto conteúdo de estrogênios das pílulas traz um risco mínimo à saúde. Até chegaram a afirmar que as mulheres não devem queixar-se pela dolorosa inflamação nos seios que a pílula pode causar. Eles diziam que: “Isto faz que seus seios luzam mais formosos e que isso é bom para todos, inclusive para os fabricantes de roupas que têm que fazer sutiãs maiores”.    

Estão ocorrendo abusos similares hoje em dia? A gente poderia dizer que a constante distribuição de Norplant por parte do USAID é tão daninha como a anterior. Embora vale a pena esclarecer que anos depois os fabricantes americanos tiraram o dispositivo do mercado por razões de segurança, o ter animado a auto medicação e aplicação da injeção do Depo-Provera é outro exemplo de uma prática questionável que viola as regulações da FDA e pode causar sérios efeitos secundários ou inclusive a morte. O sonho dos controladores de população de vender Depo-Provera e pílulas anticoncepcionais sem receita médica, e sua estendida distribuição por um staff de “paramédicos” com um mínimo treinamento –ambas as práticas que também vão contra as regulações da FDA—se fizeram realidade em muitos países pobres.

Inclusive atualmente, não há uma maior preocupação a respeito da segurança dos dispositivos, drogas e práticas que promovem ao redor do mundo para frear a fertilidade. Depois de tudo, dizem eles, o risco de morrer durante o parto nos países em desenvolvimento é tão alto que o uso de quase qualquer dispositivo anticoncepcional ou técnica de esterilização é justificado para dar a uma mulher este destino fatal. A ex-diretora do Conselho de Saúde Mundial do USAID usou um argumento similar para desviar a investigação do PRI a respeito das gravidezes ectópicas que aconteceram depois das esterilizações forçadas das 300,000 mulheres faz uns poucos anos no Peru. Ela disse nessa oportunidade que qualquer que tenha sido o custo das esterilizações, isso ajudou às mulheres a reduzir o número de gravidezes e com isso a mortalidade materna. Inclusive adicionou que se foram poucas as mulheres que morreram por gravidezes ectópicas, então o preço que se pagou foi pouco.

Em palavras do Congressista Chris Smith (Republicano por New Jersey), “convertemos a gravidez em uma doença de trasmissão sexual”. Só quando esta “enfermidade” esteja completamente “curada”, os organismos promotores do controle natal estarão satisfeitos para suspender suas atividades. Enquanto isso não interessará quantas mulheres morram pelos abusos do planejamento familiar.

Steven Mosher é o Presidente do PRI

 
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