Em público os grupos anti-natalistas afirmam ter conseguido reduzir a mortalidade infantil, mas em privado celebram ter reduzido o número de crianças nascidas.
Os grupos anti-natalistas proclamam aos quatro ventos que o controle populacional (eufemisticamente chamados “programas de planificação familiar”) diminui a mortalidade infantil. Alguns de seus argumentos são muito burdos e fáceis de rebater. É certo que, ao mesmo tempo que diminuiu o índice de nascimentos, se reduz a quantidade de crianças que estão em risco de morrer nos seus primeiros dias, semanas ou meses de vida. Mas esta diminuição só se deve a que de modo geral há muito menos crianças que antes.
O mais sofisticado argumento que os grupos anti-natalistas tratam de vender às pessoas é a conveniência de espaçar o nascimento dos filhos. A evidência demostra que nos países onde as mulheres e os bebês não são bem alimentados, os índices de sobrevivência de filhos que estão espaçados em dois ou três anos são geralmente mais altos do que os dos filhos que nasceram com menor tempo de espaçamento. Por esta razão, eles se sentem justificados ao induzir, inclusive a coagir, às mulheres a usar anticoncepcionais por vários anos depois do nascimento de seu primeiro filho. Publicamente afirmam ter conseguido reduzir a mortalidade infantil, mas em privado celebram o fato de terem reduzido o número de crianças nascidas.
Mas cada uma de suas políticas intervencionistas teve conseqüências inimagináveis. Antes de adjudicar o crédito aos anti natalistas por terem reduzido o índice de mortalidade infantil, eles deveriam responder à acusação de que seus programas contribuíram diretamente ao incremento de uma nova epidemia: o assassinato de meninas e o infanticídio na Ásia.
As sociedades dedicadas à agricultura dão um grande valor aos filhos, especialmente aos filhos homens.
As sociedades dedicadas à agricultura concedem um grande valor aos filhos, especialmente aos meninos, que trabalham nos trabalhos do campo desde muito cedo com poucos anos de idade e provêem segurança econômica aos seus pais na velhice. O valor econômico dos filhos perde força com a industrialização, da mesma maneira que a demanda de educação deixa às crianças fora da economia familiar e os programas de aposentadoria oferecem apoio substituto na velhice.
Embarcar-se em campanhas de redução da fecundidade perante a ausência de industrialização e programas de aposentadoria, especialmente diante da presença de uma forte preferência pelos filhos homens, é condenar a um grande número de meninas a morrer no ventre de sua mãe ou logo assim que chegarem a nascer.
Isto pode ser visto mais claramente na China, onde a brutal e draconiana política de um só filho foi uma sentença de morte para dezenas de milhões de meninas e criou um incrível desequilíbrio de sexos. Em uma população humana normal, nascem cerca de 106 bebês homens por cada 100 bebês mulheres. Esta é uma disparidade que se regula com o tempo já que os bebês homens experimentam uma maior taxa de infanticídio e mortalidade infantil. Entretanto, desde começos dos 80’s, o desequilíbrio de sexos nos nascimentos na China se incrementou de forma constante e alarmante. Hoje em dia se situa em cerca de 117 varões por cada 100 meninas.
Outros países com potentes programas de planificação familiar no Leste e Sul da Ásia também mostraram um surpreendente incremento no desequilíbrio de sexos nos nascimentos.
Os grupos anti-natalistas do Fundo de População das Nações Unidas, tal como a International Planned Parenthood Federation e o próprio governo Chinês negam que esta praga do “assassinato de meninas e infanticídio” esteja conectado de modo algum com seus programas de planificação familiar. Preferem explicar estas práticas apenas como “manifestações de preferências por filhos homens e a estrutura patriarcal que prevalecem na região”.
Bem poderiam os anti-natalistas adjudicar o mérito de uma modesta redução na taxa de mortalidade infantil no Leste, Sudeste e Sul da Ásia. Entretanto, isto dificilmente poderia compensar o trágico custo de condenar a dezenas de milhões de bebês mulheres viáveis a uma morte prematura.
Os programas de controle da população contribuem também de forma indireta ao incremento da mortalidade infantil e materna de outras maneiras. Na China e Vietnã, por exemplo, vem-se impondo fortes multas nas famílias de crianças “ilegais”. A estas crianças está se lhes negando residência, rações de mantimentos, cuidado em saúde e inclusive educação. Encontrou-se que certas práticas destas políticas estão sendo adotadas de maneira rigorosa dentro de programas de planificação familiar na Coréia do Sul, Índia e outros países.
Tudo isto impacta em dobro a estas famílias pobres. Por um lado as multas afetam diretamente na economia familiar e pelo outro lhes fecha ou dificulta o acesso à atenção de saúde e outros serviços que brindam esses Estados. Tudo isto somente por violar estas arbitrárias políticas de restrição aos nascimentos. Algumas mulheres e crianças morrem como conseqüência disso.
Entretanto, UNFPA e outros grupos controladores de população gabam-se com muita fanfarra respeito da ligeira redução em mortalidade infantil que se observam após executar maciças campanhas para prevenir a gravidez. É claro que este assunto é simplesmente um efeito secundário de sua meta principal: reduzir o número de bebês nascidos. Mas a maior parte das mulheres jovens do Terceiro Mundo que morreram durante o parto queriam ser mães. Elas não quiseram perecer como resultado disso.
As pessoas carentes dos países em desenvolvimento, em especial as mulheres pobres, vêem freqüentemente aos países desenvolvidos como profundamente hostis a seu estilo de vida. Esta impressão se reforça mais quando se vêem inundados com dispositivos anticoncepcionais e químicos, ou recebem pressão para aprovar leis favoráveis à esterilização e o aborto.
Este tipo de imperialismo cultural se fez evidente em um comentário de Hillary Clinton oferecido em um encontro sobre o papel da mulher realizado em Buenos Aires em 18 de outubro de 1997, no que dizia que “o único caminho para melhorar a vida das mulheres é a promoção maciça de métodos anticoncepcionais.” As mulheres pobres dos países em desenvolvimento certamente traduzem esta mensagem da seguinte forma: “nós, os países desenvolvidos, queremos que vocês, os pobres, tenham poucos filhos, ou nenhum, e não lhes ajudaremos a cuidar dos filhos que atualmente já tem.”
O que acontece se as mulheres desfrutarem sentindo uma nova vida crescendo dentro delas, se desfrutarem de unir-se à experiência de amamentar, e desfrutarem de cuidar e tomar conta de seus pequenos filhos? Para os anti-natalistas estas idéias são denigrantes e devem extirpar-se socialmente.
Depois de várias décadas de uma maior consciência e sensibilização sobre os danos do imperialismo cultural, muitos organismos de controle natal ainda não são capazes de perceber as motivações e desejos dos indivíduos que pudessem desejar ter filhos. Não só ignoram as opiniões daqueles sobre os quais aplicam seus programas e que são favoráveis aos nascimentos, senão que desprezam estas idéias. Quando induzem às mulheres a usar anticoncepcionais ou a esterilizá-las diretamente ou a incorporá-las a trabalhos fora do lar, extinguem ao mesmo tempo o desejo de muitas mulheres de ter filhos. E isso no longo prazo produz um nefasto impacto social. Pensemos apenas no “inverno demográfico” mas como dizíamos antes, as conseqüências são inimagináveis.
Os promotores do controle natal têm uma visão tão pessimista da criação dos filhos que sempre andam desejosos de se gabar de toda redução nos nascimentos. Tal como manda o manual ideológico da “saúde reprodutiva”: “se as mães tiverem um grande número de filhos têm maiores probabilidades de morrer durante o parto; além disso passarão uma grande parte de suas vidas adultas grávidas, amamentando e cuidando de seus filhos”. Mas o que acontece se as mulheres desfrutam sentindo uma nova vida crescendo dentro delas, se desfrutarem de unir-se à experiência de dar de amamentar ou desfrutam cuidando de seus pequenos filhos? Qual é sua atitude perante este tipo de realidades? Tão somente uma: as invalidar socialmente acusando-as de denegrir a condição feminina.
Os promotores do controle natal se manifestaram semrpe contra a gravidez e atacaram os programas de maternidade segura qualificando-os de “altamente e malvadamente prejudiciais”, e de “uma estúpida crueldade”, tal como o disse textualmente Margaret Sanger. Para eles as mulheres e as crianças são simples méios para obter um fim. São usados como cavalo de Tróia para conseguir um crescimento populacional dramaticamente lento ou inclusive a diminuição do mesmo. |