Boletim 38 (22/01/2008) PDF Imprimir


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Aparentemente escolher dar a vida ao seu filho é a única opção que não é permitida às mulheres, inclusive se ela decidir dá-lo em adoção. Para as feministas radicais, matá-lo é a única opção razoável.

As gravidezes não desejadas e a maternidade adolescente foram sempre assuntos politicamente sensíveis nos Estados Unidos, país moralmente esquizofrênico, pois é o país que possui o maior índice de adolescentes grávidas, muito mais alto do que qualquer outro país desenvolvido. Do outro lado,  os conservadores sustentam que o súbito incremento dos índices de gravidezes adolescentes é devido basicamente a três coisas:

  • a falta de programas de educação sexual que falem do ser humano como uma unidade bio-psico-espiritual e não o reduzam apenas ao aspecto fisiológico,
  • a atitude de deixar fazer (laissez-faire) para o aborto e a anticoncepção, e
  • uma falta geral de interesse em assuntos de moralidade sexual.

Deste modo sustentam que, uma vez concebido, o bebê não nascido é uma pessoa humana que intrinsecamente merece ser reconhecido, inclusive se a jovem mãe escolhe dar em adoção à criança.

De outro lado, as feministas liberais acreditam que estes índices de gravidezes não planejadas surgem de uma ignorância permissiva da mecânica do sexo e inclusive uma ignorância mais estendida no tema da anticoncepção. Dizem elas que esse assunto deve ser a eleição pessoal de cada adolescente, seja que decidam ter a criança, abortá-la ou dá-la em adoção. Para as feministas o que as adolescentes possam escolher constitui um direito inegável, inviolável por parte do Estado, do cônjuge, do noivo e inclusive dos pais.

Pelo menos isto é o que elas dizem.

Uma análise detalhada desta posição feminista mostra que as feministas também têm idéias malévolas sobre o que as mães adolescentes devem fazer com seus bebês. Elas devem abortá-los. 

Consideremos o recente incremento de gravidezes entre celebridades adolescentes, sempre muito publicitadas. Desde  Keisha Castle-Hughes, a jovem de 16 anos que interpretou à Virgem María no filme The Nativity Story, até  Jamie Lynn Spears, a irmã menor da tristemente célebre estrela de pop Britney Spears, mais e mais jovens celebridades estão anunciando suas gravidezes não planejadas –e escolhem não abortar. Além disto, Hollywood parece ter adotado a dita tendência, lançando vários filmes no ano passado que tratam favoravelmente este assunto. Filmes como Bela, Knocked Up (Grávida), Waitress  e Juno, a mais recente, têm como protagonistas a jovens mães solteiras que se enfrentam a uma gravidez inesperada, e todas escolhem levar sua gravidez até o fim.

A maioria das vezes os criadores destes filmes, assim como as jovens celebridades grávidas, não se consideram a si mesmas pró-vida nem tampouco muito conservadoras. Entretanto, a opção de aceitar sua nova condição, na realidade ou na tela, foi o caminho que decidiram seguir.

Desta forma, aparentemente, diminuem o mal cometido.

A indignação que surge da comunidade feminista sobre esta tendência chama poderosamente a atenção. As feministas estão se queixando, não de que estas jovens não tenham tido opção, mas pelo fato delas terem rechaçado fazer o “correto”.

 “Ser uma mãe abnegada é totalmente incompatível ao desenvolvimento de um adolescente”, disse a psicoterapeuta Linda Perlman Gordon à Imprensa Associada (Associated Press) respeito à gravidez de Jaime Lynn Spears. “Ela está adiando suas necessidades por fazer o correto. Vai ter que sacrificar parte de seu crescimento, aquilo que lhe permitiria converter-se em uma pessoa autônoma e independente”.

Demie Kurtz, uma socióloga feministas da Universidade de Pennsylvania faz o seguinte questionamento “Queremos botar uma carga pesada sobre estas garotas adolescentes alentando-as a pensar que ter um bebê é divertido?. “Deveria ser uma obrigação expor às jovens o por que ter um aborto ou tomar a pílula do dia seguinte é uma eleição razoável”.

Dá na mesma que estas tenham sido as mulheres que sempre estiveram prontas a defender o direito da mulher de abortar seus filhos, em contra dos “juízos morais” dos pró-vida. É irônico que agora, estas supostas “defensoras do direito a escolher da mulher” sejam as primeiras em julgá-la quando a mãe adolescente escolhe não assassinar a seu bebê por nascer. 

Incrivelmente, esta decepção que sentem se estende inclusive às jovens adolescentes que escolhem dar a seus bebês em adoção. Tal parece que as feministas não estão simplesmente em contra do “capricho” de uma maternidade solteira das adolescentes, senão que estão firmemente contra o fato delas terem os seus bebês.

O filme Juno, por exemplo, envolve a uma jovem que contempla a possibilidade de um aborto, e só no último minuto decide ter-lho e dar em adoção o menino a uma boa mãe que tinha estado tratando de adotar um. Juno significou um duro golpe para muitas feministas, que manifestaram seu desacordo com o fato de que o personagem principal do filme decidisse ter o seu bebê, embora o tenha entregue em adoção.

 “O filme realmente me incomodou”, escreveu “Mark” do Blog A respeito da Cidade no The L Magazine. “Ao princípio, nos produziam risadas os protestos solitários (um protestante pró-vida nos subúrbios de uma clínica de abortos)… e enquanto riamos de nós mesmos, oops… apareceu nas telas Juno, tão boa de coração, que nos pôs em shock expondo detalhadamente o tema dos bebês assassinados”

A afirmação de que a outrora “sensível” Juno perca credibilidade por negar-se a assassinar o seu filho é surpreendente nesta miopia ideológica. Embora este escritor, que se considera claramente “pro-livre eleição”, o que defende não é a opção em si. O que suas palavras respaldam é que o aborto é a única opção responsável para as jovens mães solteiras. Inclusive a adoção está fora de discussão como alternativa de solução.

Incrívelmente e de jeito assustador, estes incidentes só marcam uma tendência que poluiu o debate sobre o aborto e já influenciou decisivamente a muita gente. Estas feministas estão tão estreitamente vinculadas à agenda do aborto, que qualquer consideração ao respeito deve favorecer o aborto para ser válida. Nestes casos, o aborto é um tipo de “credo social”, um rito do trânsito na caminhada até a adultez pelo que deverão passar as meninas, se é que querem tomar a sério sua feminilidade. O que de verdade faz tremer às feministas é que a gravidez pode converter-se em algo “bom e desejável” (“something cool”). No fundo o que temem é a idéia de que uma garota jovem possa perceber a profunda beleza da maternidade. Quando isso acontecer, elas rechaçarão o aborto por ser o que verdadeiramente é: o assassinato de uma criança inocente.

Colin Mason é o Diretor para a Produção de Comunicações do Population Research Institute

 
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