Boletim 34 (12/09/2007) PDF Imprimir

Prezados Amigo:

A história algum dia verá o aborto com o mesmo desgosto com o qual agora olhamos o que foram as práticas de lobotomias frontais.

Steven Mosher
Presidente



Em novembro de 2005, Rádio Pública Nacional (National Public Radio, NPR) deu a conhecer a história de um homem chamado Howard Dully, um simples condutor de ônibus de Califórnia, que pesava 350 libras. Qual é a história do Dully? À idade de 12 anos era um dos pacientes mais jovens que estavam programados para receber uma das infames lobotomias do psiquiatra Walter Freeman, realizadas com um aparelho para picar gelo.


Em 1960 Howard Dully someteu-se a uma lobotomia feita com um aparelho para picar gelo nas mãos de Walter Freeman. À direita de Howard Dully um dos aparelhos originais do Dr. Freeman, janeiro de 2004

Cortesia da Livraria Gelman da Universidade George Washington


Freeman, quem era “metade médico e metade showman”, especializou-se no que ele chamava “lobotomía trasorbital”. Ele estava convencido de que as enfermidades mentais eram causadas por “sobrecarga de emoções” na região pre-frontal, por isso ensaiou a lobotomia para acalmar estas emoções separando, desta forma, as conexões entre a região pre-frontal e o resto do cérebro. Primeiro cravava um aparelho de picar gelo através da órbita do olho com um maço de borracha, e logo o mexia energicamente ao redor do olho para destruir o frágil tecido nervoso.

Freeman se deliciava com esta barbárie, que em seu momento foi aclamada como um novo procedimento milagroso, “tão simples como curar uma dor de dente”. Segundo a NPR, “Freeman era um showman e impressionava a sua audiência de doutores e enfermeiras realizando duas lobotomias ao mesmo tempo: incrustrando um aparelho para picar gelo em ambos os olhos de uma só vez. Em 1952, ele sozinho realizou 228 lobotomias em apenas duas semanas na Virginia Oeste”.

Freeman fez uso indiscriminado deste procedimento e o aplicava ao detectar o mais mínimo problema emocional em seus pacientes. Inclusive Howard Dully foi forçado a submeter-se ao processo simplesmente porque sua madrasta insistiu em que Howard tinha “olhar desafiante e selvagem”. Eu sei que vários pre púberes encaixam nesta descrição, mas não por isso devem ser submetidos a esta crueldade.

Atualmente a maioria de pessoas estão totalmente contra a idéia de auscultar o cérebro com um de picar gelo. Entretanto, ao mesmo tempo, autoridades médicas reconhecidas afirmaram em seu momento que esta prática era a maior novidade da medicina moderna (Não é brincadeira). Freeman se considerava a si mesmo como um visionário, como descobridor de um procedimento sem dor que poderia melhorar a vida de milhares de pacientes mentais. Só depois de ter realizado mais de 2500 lobotomias, algumas das quais levaram à morte a vários pacientes, Freeman foi forçado a aposentar-se e abandonar a prática da medicina.

Os “beneficiários” principais das lobotomias do Freeman não foram os pacientes mentais, mais as pessoas responsáveis de tomar conta dele, ao seu serviço. Com suas “cargas” feitas mais lerdas e submissas, se não se reduziu a perturbada imbecilidade do paciente, pelo menos quem o tinha aos seus cuidado, tinha o trabalho muito facilitado.

Quem pensar que tal barbárie é uma coisa do passado deveria parar e pensar duas vezes. Muitas adolescentes e mulheres jovens estão enganadas ao pensar no aborto como “a solução rápida”, assim como alguma vez se considerou a lobotomia. A criança em desenvolvimento é considerada como um “tecido” ou “material”, o procedimento é em si mesmo como uma “interrupção”. Nas palavras do TeenWire, revista juvenil online da Planned Parenthood, o aborto é “um procedimento seguro”. Que é quase duas vezes mais seguro que uma injeção de penicilina, e é 11 vezes mais seguro do que dar a luz”. O aborto, a nova “cura” milagrosa, revolucionará as nossas vidas.

De fato, retirar uma vida humana em formação da proteção do ventre materno é um ato violento, um ato que mata ao bebê e que destrói profundamente à mãe.

Esta crua verdade não lhe é dita à mulher senão até depois que o dano foi feito. As mulheres que tiveram um aborto narram uma história de barbárie, de incompetência médica e de indescritível dor.

Em um fórum online chamado AbortionConcern.org montado para mulheres que realizaram um aborto, surgiram dúzias de desoladoras histórias. “Tive dores físicas do aborto, mas nada comparado ao sofrimento emocional”, diz “Dale" da Austrália. “Sinto-me terrível”, diz “Sofia” dos Estados Unidos. “estive chorando e abraçando meu ventre e quis voltar no tempo”. As histórias são sempre iguais, só mudam os nomes e alguns detalhes. David C. Reardon, quem aconteceu anos investigando sobre este tema, é o líder mundial de peritos no “síndrome post-aborto”. Este é o estado de depressão severo e shock, similar à tão conhecida Desordem de Estresse Post Traumático que sofrem milhares de veteranos de guerra, no qual se vêem submersas inumeráveis mulheres que realizaram um aborto.

O mundo será um lugar melhor quando o aborto faça parte, junto às lobotomias, do museu médico do horror.

A própria existência desta condição, embora pareça mentira, é teimosamente negada por organizações como a Federação Nacional para o Aborto e a Planned Parenthood. Deixando de lado a extensa investigação levada a cabo pelo Dr. Reardon e os milhares de testemunhos das próprias vítimas, a Federação Nacional para o Aborto declara timidamente que “as opiniões médicas mais generalizadas, como a da Associação Norte-americana de Psicologia, concordam com que não existe tal coisa como o ‘síndrome post-aborto’”

Nesta afirmação, a gente pode escutar um arrepiante eco de insistência do Dr. Freeman em afirmar que os pacientes aos que praticou lobotomias ficaram melhores sem essas molestas células cerebrais.

Aqueles que continuam fingindo que o aborto é um procedimento simples, sem dor e acertado, ou são ignorantes dos fatos médicos ou escolhem ignorá-los. Inclusive a reconhecida feminista Naomi Wolf, no ensaio Nossos Corpos, Nossas Almas (Our Bodies, Our Souls) de 1995, atacou aos defensores do aborto por sua hipocrisia. Embora ela era e continua sendo pró-opção (pro-choice), Wolf reconheceu que o aborto é um ato violento, primitivo e sacrílego.

“Ao nos reger por uma retórica sobre o aborto em que não há vida nem morte, confundimos nossas crenças em uma série de auto enganos, mentirinhas e evasões, “ disse Wolf. “E nos arriscamos a nos converter precisamente no que os nossos críticos dizem que somos: cruéis, egoístas e ligeiramente destrutivos ao homem e à mulher que compartilham uma visão rebaixada da vida humana”.

Um aborto é um ato bárbaro, fundamentalmente destrutivo tanto para o bebê como para a mãe. Esta prática deve fazer parte do museu médico do horror, junto com as sanguessugas, as amputações desnecessárias e, obviamenbte, as lobotomias de começos de século.

Colin Mason é o Diretor para a Produção de Comunicações do PRI
 
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Steve Mosher é Presidente do Population Research Institute, uma organização sem fins lucrativos dedicada a desfazer a mentira da superpopulação no mundo.
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