Boletim 27 (09/07/2007) PDF Imprimir

Continua a terrorífica campanha de um filho só

A campanha de abortos forçados golpeou a província sulina da China como um furacão devastador. O governo provincial decidiu que estavam nascendo muitos bebês. Advertiu aos funcionários locais que voariam cabeças se é que não cumpriam com as cotas de controle populacional. A reação imediata destes foi sair à caça de centenas de mulheres e prendê-las pelo crime de estar grávidas. Estas mulheres foram levadas pela força a hospitais e clínicas, onde tiveram que abortar em contra de sua vontade. E não importou que a gravidez dessas mulheres tivesse superado o ponto de viabilidade ou inclusive se já estavam em trabalho de parto. Assassinaram os seus bebês de qualquer jeito.

O parágrafo anterior poderia ter sido uma descrição fiel do que presenciei na província chinesa de Guangdong em 1979 e 1980. E na realidade, isto é o que vem acontecendo agora mesmo na vizinha província de Guangxi. É o que aconteceu província após província durante os últimos 27 anos na China. A terrorífica campanha de um filho só, que começou antes de 1980, continua vigente até os nossos dias, violando a dignidade das mulheres e destroçando às famílias em todo o território chinês.

Em Guangxi se concentra quase um terço da população chinesa. Esta região é uma das mais desenvolvidas do país, onde muitas pessoas têm telefones celulares e acesso a Internet.

De fato, a única coisa incomum a respeito desta última campanha é a rapidez com que as notícias sobre estas atrocidades se pulverizaram fora da China. A província de Guangxi não fica muito longe de Hong Kong. Pouco depois de ter começado a campanha em maio deste ano, chegaram as primeiras notícias, primeiro até a colônia britânica e daí ao resto do mundo. Guangxi, do mesmo modo que Guangdong e Hong Kong é uma província de fala cantonesa. É também uma das regiões mais desenvolvidas da China, onde muita gente tem telefones celulares e acesso a Internet. Foi com a ajuda destes meios como as vítimas desta terrorífica campanha comunicaram seus sofrimentos ao resto do mundo.

Em realidade foi Rádio Pública Nacional (RPN), organização financiada com dinheiro dos contribuintes, similar ao programa do Rush Limbaugh, a que divulgou a notícia da campanha de um filho só e esta se mostrou na Edição Matinal. Descrevia com horrorosos detalhes o drama de Wei Linrong, residente de Guangxi.

Ela e seu marido, Liang Yage, já tinham um menino mas queriam um segundo filho. O senhor Liang foi detido quando sua esposa que, estava no sétimo mês de gravidez, foi forçada a abortar o seu filho. Os Liang são cristãos e, coerentemente com a sua fé, não concordam com o aborto, reportou RPN.

O jornal Hong Kong e a imprensa estrangeira também reportaram que funcionários locais estavam impondo multas excessivas às mulheres que eram a luz um segundo filho. Em alguns casos estas multas foram equivalentes aos ganhos percebidos em vários anos.

Em resposta a essas duras táticas aconteceram distúrbios em 28 cidades em toda a região. Centenas de cidadãos enfurecidos saíram às ruas, tomando por assalto os edifícios do governo, quebrando janelas, destroçando móveis e atacando veículos. Alguns inclusive tentaram atear fogo aos prédios. Após sufocar os distúrbios, o governo regional chamou centenas de efetivos da polícia armada.

A compaixão da imprensa estrangeira esteve sem lugar a dúvidas a favor das vítimas dos abortos forçados. A Edição Matinal do RPN não só contou a história dos Liang, mas também a de outras mulheres chinesas cujos bebês foram abortados semanas antes de nascer, e em alguns casos, apenas a poucos dias do nascimento. O jornal Los Angeles Times publicou fotos coloridas dos distúrbios e escreveu a história dos camponeses que iniciaram a revolta porque consideraram que “já era suficiente”. Inclusive o New York Times entrou na briga com um artigo extenso a respeito dos trágicos índices de abortos realizados nas mesmas cidades a jovens chinesas solteiras (ao parecer levou ao Times vários dias entender a tendência pro-aborto desta informação).

A Agência de Notícias Xinhua do governo, reagindo à cobertura dos meios estrangeiros, ensaiou uma forma de controlar os danos. Xinhua afirmou que só 28 pessoas foram presas depois dos distúrbios, um número que parece ridiculamente baixo dadas as circunstâncias. Xinhua também manifestou que os aldeãos detidos na revolta em lugar de pagar condenação receberam conselheria: 4200 membros do partido comunista foram enviados a essa área para reunir aos aldeãos e dialogar sobre suas queixas para assim aliviar a tensão nas 28 cidades onde se deram os protestos. O que Xinhua não revelou foi que esses “conselheiros” estavam armados.

Os detidos, seja que tenham sido 28 ou várias centenas, que é o mais provável, não podiam esperar ser bem tratados na prisão. Soube-se recentemente de um advogado invidente, um dos dirigentes ativistas chineses contra os abortos forçados, que foi duramente golpeado enquanto esteve detido. Grupos de Direitos humanos dizem que os oficiais da prisão ordenaram aos reclusos bater nele logo que ele se resistiu a deixar-se raspar a cabeça e insistir em reclamar seus direitos legais. O único estranho de tudo isto foi o fato que não tenham sido os próprios oficiais os que o golpearam.

Quantos milhões de mulheres mais deverão sofrer um aborto forçado antes que os líderes chineses percebam que a política de controle natal que adotaram os levará na quebra a longo prazo?

É perigoso questionar a política do Partido Comunista, mas algumas pessoas ao interior da China já o estão fazendo. Entre elas Ye Tingfang, um professor da Academia Chinesa de Ciências Sociais (ACSS). Recentemente o professor Ye deu uma declaração insinuando que “no início se acreditava que nossa grande população poderia ser um obstáculo para o nosso desenvolvimento econômico. Mas depois do passo das últimas décadas, a experiência nos mostrou o contrário. Japão, por exemplo, tem poucos recursos naturais e contudo se gaba de ter uma das maiores densidades populacionais do mundo, e ainda assim tem uma das economias mais prósperas dos países do primeiro mundo. Isto demonstra que o trabalho é a maior fonte de riqueza.

Ou melhor, os seres humanos constituem o recurso primordial do planeta.

Japão se gaba de ter uma das maiores densidades populacionais do mundo, e contudo tem uma das economias mais prósperas dos países do primeiro mundo.
Steven Mosher es el Presidente del Population Research Institute
 
 
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Steve Mosher é Presidente do Population Research Institute, uma organização sem fins lucrativos dedicada a desfazer a mentira da superpopulação no mundo.
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