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Boletim 50 (31/01/2007) PDF Imprimir

300 Milhões e a Imigração: Dois temas à parte

Os Estados Unidos alcançou os 300 milhões de habitantes na manhã de terça-feira, 17 de Outubro de 2006. Alguns celebraram. É que há motivos para isso quando se compreende que as pessoas são o recurso mais importante de uma sociedade. Entre outras tantos motivos celebramos porque estamos extremamente conscientes da necessidade de mais trabalhadores que sustentem a geração de baby boomers norte-americanos que vão chegando à aposentadoria.

Entretanto, muitos dos que têm uma atitude a favor das pessoas e reconhecem o problema dos aposentados não vêem com bons olhos o atual nível de imigração para os Estados Unidos. E freqüentemente isto se transforma em hostilidade para o crescimento populacional em si. É tempo de separar esses dois assuntos, e nos alegrar de que nossa nação não está envelhecendo como as da Europa.

Partamos de duas premissas importantes para elucidar ambos temas: o crescimento populacional dos Estados Unidos é bom, embora ter um grande número de imigrantes não adaptados ou improdutivos seja mau.

Um dos motivos para celebrar o aumento populacional é a necessidade de mais trabalhadores que sustentem a geração de baby boomers norte-americanos que vão chegando à aposentadoria.

Sem imigrantes, a população dos Estados Unidos continuaria envelhecendo indefinidamente devido a que sua taxa de nascimentos seja muito baixa. Ainda contando com a alta taxa de nascimentos de seus imigrantes, a taxa global de fecundidade nos Estados Unidos é de em médio apenas 2 bebês por mulher. Isto é ligeiramente menos que o 2,1 que necessitam para a taxa de substituição populacional. Se tirássemos todos os imigrantes, os índices de natalidade dos norte-americanos baixaria aos níveis suicidas franceses.

A imigração nos EUA ontem e hoje

É verdade que desde 1965 os Estados Unidos experimentou um maciço aumento em sua população estrangeira devido à liberalização das leis de imigração por parte do Congresso. Contrariamente ao que se possa pensar, a maior parte da imigração para os Estados Unidos é legal, com cerca de um milhão de residentes ao ano. O departamento de censos estima que “só” 500.000 imigrantes ilegais entram anualmente nos Estados Unidos embora isto possa ter aumentado nos últimos anos, dado que efetivamente a imigração ilegal aumentou. Agora, cerca de 35 milhões de residentes dos Estados Unidos nasceram no estrangeiro, um considerável 11,7% da população.

De acordo com a pesquisa do Centro de Estudos de Imigração (CIS), “Desde 1970, mais de 30 milhões de imigrantes legais e ilegais se assentaram nos EUA, representando mais de um terço de toda a população que chegou a estas terras. No pico da grande onda de imigração de 1910, o número de imigrantes vivendo nos EUA foi menor que a metade dos que há atualmente, embora a porcentagem de imigrantes sobre o total da população tenha sido ligeiramente mais alta.” É obvio, os norte-americanos nativos tinham uma fertilidade muito mais alta naquela ocasião, fazendo com que crianças imigrantes se adaptassem facilmente.

O crescimento populacional beneficia os Estados Unidos, mas não o sistema de imigração atual que tem muitos defeitos.

Steven W. Mosher
Presidente do Population Research Institute

Agora, diz a CIS, “A renda anual de 1,5 milhões de imigrantes legais e ilegais, junto com os 750.000 nascimentos anuais de mulheres imigrantes, são fator determinante de três quartos do crescimento de toda a população dos EUA” Quem se queixa de que os norte-americanos têm muitos bebês não estão a par dos fatos. A taxa de natalidade dos EUA é baixa e a maior parte de nosso crescimento populacional vem da longevidade dos norte-americanos, que nunca viveram tanto, e da imigração. As crianças norte-americanas nascidas nesse período terminaram se graduando desde a escola junto com a prole de imigrantes, provendo a seguinte geração de contribuintes norte-americanos.

¿Podemos atribuir aos imigrantes todos os problemas que acreditam ser devido ao crescimento populacional como a expansão suburbana ou a degradação do meio ambiente? De maneira nenhuma. Certamente os imigrantes pioraram alguns dos problemas dos Estados Unidos, mas nenhum foi devido ao crescimento populacional em si. Os problemas de expansão suburbana e a conseqüente congestão vêm devido a que os governos locais deixaram de se preparar adequadamente para um crescimento maior como nunca antes. A expansão suburbana também se explica em grande medida por outros três fatores: a revolução de divórcios dos norte-americanos que duplicaram o número de lares, a mobilidade de pessoas abandonando as áreas rurais, e o desejo dos americanos por casas cada vez maiores. Mais ainda, para 2050 (se forem mantidas as taxas atuais de consumo), só 5,7% das terras dos EUA estarão construídas (atualmente é 4,7%). A descoberta de recursos naturais e a qualidade do meio ambiente vieram aumentando nos Estados Unidos por décadas (Ver boletim anterior).

O crescimento populacional dos EUA, com pessoas nascidas dentro e fora de seu território, é uma coisa boa. O lobby antinatalista de controle populacional deveria ter em conta a simples realidade de que os Estados Unidos não pode sobreviver sem gente. Inclusive com a atual taxa de crescimento populacional de aproximadamente 0,9% ao ano, enfrentamos um grave problema nas seguintes décadas. De acordo com o House Budget Committee, a taxa de aposentados esteve em relação de 5 para 1 em 1960. Em 2002, aumentou a uma relação de 3 para 1, 40% menos. E para 2050, está projetado que será de 2 para 1, um pouquinho mais de 40%. Isto fará com que o seguro social e o cuidado médico cheguem a ser insolventes (ver o Boletim anterior “300 Milhões, Segurança Social, e Solvência,”). Os Estados Unidos precisa de mais gente jovem e, a menos que os norte-americanos produzam eles mesmos tendo mais bebês, alguns terão que ser importados.

A política de imigração norte-americana deveria mudar a favor de pessoa jovens com habilidades que contribuam para sua economia pagando impostos. E por sua vez  deve desestimular os imigrantes adultos ou idosos sem habilidades especiais, e Muçulmanos e de outros países cuja população odeia os EUA.

Isso não significa que os EUA deva continuar recebendo imigrantes indiscriminadamente. Em primeiro lugar, estes 11 milhões (ou mais) de ilegais são um gasto importante para a economia dos EUA e vivem em um submundo, fora da lei.

Em segundo lugar, de acordo com o CIS, os imigrantes terminam a secundária menos freqüentemente que os norte-americanos nativos, são 57% mais pobres, 2,5 vezes mais perto de ficar sem seguro médico, e estão mais próximos de receber assistência social. Estas evidências mostram o óbvio, que o alto nível de imigração diminui os salários dos norte-americanos que acabam sendo os mais baixos da escala econômica, particularmente de muitos negros. A geração dos baby boomer com sua afeição pelos grandes governos e pequenas famílias está em perigo de nos levar à bancarrota; não necessitamos de outra população que faça o mesmo.

O mais preocupante seja talvez, que os imigrantes mais recentes não estejam rejuvenescendo a América. “Sem os 7,9 milhões de imigrantes que entraram depois do ano 2000, a média de idade nos EUA seria de 36 anos,” diz a CIS. A política de imigração norte-americana deveria mudar a favor daqueles com habilidades que contribuam para sua economia e a que os jovens saudáveis passem sua vida adaptando-se e pagando impostos nos Estados Unidos, posto que logo vai se necessitar desses trabalhadores. E, por sua vez, deve desestimular os imigrantes adultos ou idosos sem habilidades especiais, e Muçulmanos e de outros países cuja população odeia os EUA. E, é obvio, o multiculturalismo deveria ser abolido e substituído com o velho e verdadeiro modelo já provado se é que os EUA quer evitar a balcanização.

Em outras palavras, a política de imigração norte-americana deveria ter mudado para beneficiar os EUA, não para enterrá-lo. Por sua vez, aqueles que são perseguidos em terras estrangeiras também deveriam ter uma oportunidade de viver livremente aqui. Tão somente o desejo de um trabalho melhor pago não é suficiente.

Enquanto a população da Europa e Japão diminuem, os EUA deveria celebrar o saudável e contínuo crescimento populacional. A boa notícia é que não se está murchando como a maior parte do resto do mundo ocidental.

Joseph A. D’Agostino é Vice-presidente para Comunicações no Population Research Institute.
 
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