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Devem ser apagados do mapa!
Os grupos feministas argumentaram sempre que sua opção
política pela mulher se enquadra no sistema democrático e se
sustenta no princípio de não discriminação de nenhum grupo.
Entretanto sua praxe social está no extremo oposto ao que
postula seu discurso político.
No meio do debate sobre a elaboração de um Plano Nacional de
Direitos humanos no Peru, grupos feministas e seus aliados
mostraram que sua “praxe democrática” não tem nada a invejar
ao pior dos regimes totalitários. O discurso próprio como
única “verdade” e a completa desqualificação do adversário são
o pão de cada dia.
Transcrevemos uma parte da entrevista difundida no Programa de
TV “Barra de Mulheres” no último 10 de dezembro, muito gráfica
por sinal. As protagonistas são Jeannie Dador e Ana María
Yáñez condutoras do programa e membros do movimento feminista
Manuela Ramos. Esta vez acompanhadas por Suzel Paredes, membro
de outro grupo feminista Flora Tristán e agora representante
das organizações LGTB (lésbicas, gays, travestis e bissexuais)
e Francisco Soberón, secretário executivo da Coordenadora
Nacional de Direitos humanos, uma ONG encarregada de levar
adiante todo o lobby com o Poder Executivo para influir no
Plano Nacional de Direitos humanos
Falavam muito enardecidamente de como “tinham dado mole” pois
tinham permitido que o representante da Conferência Episcopal
Peruana com simples voz e sem voto tinha modificado totalmente
o Plano contra suas propostas “progressistas” trabalhadas
durante quase dois anos. A seguir reproduzimos por escrito
parte da entrevista:
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Jeannie Dador |
“Não sei por que terminamos aceitando esse tipo de
organizações como a Conferência Episcopal Peruana e a
CONEP” |
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Suzel Paredes: |
““ Mas a CONEP tem se comportado bem” |
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Jeannie Dador: |
“Não, Suzel. Não interessa como se comporta. Agora
estão a favor. Porque amanhã não e depois de amanhã sim. E
então, vamos apredejá-los?”. |
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Suzel Paredes: |
“Esse é o perigo: que amanhã não sejam as mesmas pessoas
senão outras diferentes, possivelmente outro grupo”. |
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Ana M.Yánez: |
“O
problema é a natureza do grupo”. |
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Jeannie Dador:
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“O problema não é que estejam a favor ou em contra. É que
esse não é seu espaço. Porque eles se apóiam em dogmas e
nós discutimos sobre direitos e sobre consensos na
sociedade”. |
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Suzel Paredes:
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“Nós com a lógica e a ciência”. |
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Em
bom romance: qualquer grupo religioso não deve ser parte do
diálogo.
Devem ser apagados do mapa!.
Até o fato de ser discutido diante às câmaras resulta
sintomático. E é que não percebem. Estão completamente cegos
para outra coisa que não seja seu discurso ideológico. Para
estes “pseudo-reis da representatividade da sociedade civil”,
quem tiver alguma convicção religiosa está totalmente
incapacitado para expressar alguma opinião jurídica, social ou
política. Não se trata já de confrontar idéias nem sopesar
argumentos. Simplesmente não há espaço na vida pública para
aqueles que eles consideram castrados para pensar
racionalmente.
Devem ser apagados do mapa!.
É a típica ordem de um político contra uma pessoa ou um grupo
de pessoas que atenta contra sua permanência em determinado
cenário político. Não me ocorre pior atentado aos direitos
humanos. É a expressão de alguém possuido pela tentação do
poder, acostumado a exercer a autoridade de fazer e desfazer,
e que ao tentar tirar de seu caminho essa presença incômoda
transgredirá todos e cada um de seus direitos humanos.
Alguém terá notado que citamos a presença do Sr. Soberón e
este não figura no diálogo referido. Demais está dizer que sua
anuência nesta parte da entrevista foi total e que mais
adiante, para congraçar-se, falou dos direitos às uniões
legais e à adoção por casais gays. O interessante é que a este
“perito” em direitos humanos, no dia internacional dos
direitos humanos, o fizeram engolir tão grande discriminação
contra a Conferência Episcopal e a CONEP.
E o cúmulo foi sua proposta de implementação do Plano. Eles
mesmos se propuseram como voluntários para vigiar seu
cumprimento no país!. Acreditam que colocar estas pessoas a
delimitar a natureza e alcance dos direitos humanos é como
colocar ao gato de despenseiro.
Quem nos liberará da intolerância destes pseudo ardorosos
“defensores da tolerância”?
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Carlos Polo
Samaniego |
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Director de la Oficina para América Latina |
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Population Research Institute |
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Grupos feministas e de homossexuais no Peru não acharam
melhor oportunidade para mudar o marco jurídico peruano em
função de sua agenda que pretender inclui-los no projeto
do Plano Nacional de Direitos humanos. O debate se
prolongou mais de um mês entre novembro e dezembro
passados.
A iniciativa de elaborar um Plano Nacional de Direitos
humanos não é nova. Responde ao estabelecido pela Cúpula
de Direitos humanos de Viena em 1993. Entretanto, é
evidente uma linguagem adicionada do Escritório do Alto
Comissionado das Nações Unidas para os Direitos humanos
que nos sugere incluir no Plano conceitos como os de
“orientação sexual”, “direitos sexuais e reprodutivos”,
“eqüidade de gênero” e entre as considerações de “saúde
reprodutiva” se inclui que “as normas que proibem o aborto
são discriminatórias contra a mulher”.
De fato entre os conceitos da Cúpula de Viena e as
recomendações do Alto Comissionado há uma diferença
notória cuja raiz ideológica é farto conhecida. Por outro
lado, a Cúpula de Viena tem caráter vinculante para os
Estados membros, as recomendações do Alto Comissionado,
não.
O que aconteceu com o plano dos grupos homossexuais para o
Plano?
Todas as intervenções na mídia de organizações feministas
e homossexuais coincidiram em afirmar que a partir da
mudança de representantes da Conferência Episcopal na
reunião de 15 de novembro de 2005 se modificou totalmente
o projeto do Plano Nacional de Direitos humanos e foram
retiradas todas suas propostas.
Fase prévia ao dia 15 de novembro de 2005
O Conselho Nacional de Direitos humanos, entidade
dependente do Ministério de Justiça, tinha o encargo de
levar adiante a elaboração do Plano. Preparou-se por quase
dois anos. À luz dos fatos que relatamos mais adiante,
esta etapa esteve liderada pela Coordenadora Nacional de
Direitos humanos com um lobby muito ativo de grupos
feministas e homossexuais locais. Algumas das oficinas
preparatórias tiveram como expositores no tema de “enfoque
de gênero” a grupos feministas e no de “orientação sexual”
ao Movimento Homossexual de Lima e a representantes de
grupos LGTB (lésbicas, gays, transexuais e bissexuais).
Organizaram 18 audiências públicas em todo o país,
convidaram a todos os setores e se preocuparam
especialmente de fazer participar a algumas pessoas
vinculadas com a Igreja Católica e o CONEP, entidade que
agrupa às instituições evangélicas. O sentido das
audiências era dar um matiz democrático e consensual ao
Plano. Levantaram um website com um espaço de intervenção
cidadã. As intervenções tanto do website e das audiências
foram tabuladas e convertidas em pulcros quadros por uma
universidade local. Tudo era uma suposta participação
cidadã até que chegou a hora de traduzir tudo isso no
texto do Plano e se evidenciou um caráter radicalmente
diferente.
Com a redação do rascunho do Plano começou a revelar-se
toda a orquestração. Esta foi encarregada por contrato ao
Dr. Javier Mujica, conhecido diretor da Coordenadora
Nacional de Direitos humanos e assessor de um conhecido
político de esquerda, Javier Diez Canseco. Esta
contratação foi um assunto de pouca transparência já que a
Coordenadora era um dos membros do Conselho. A
apresentação deste rascunho foi precisamente o ponto da
mencionada reunião de 15 de novembro.
O senhor não está acreditado
Uma carta assinada pelo presidente da Conferência
Episcopal Peruana (CEP), Monsenhor Hugo Garaycoa, não foi
suficiente em um primeiro momento para creditar a um novo
representante na reunião do Conselho Nacional de Direitos
humanos. As desculpas se multiplicaram para impedir essa
incômoda presença. “Esse monsenhor pode autorizar a
mudança?”, questionaram. “Por cima dele só está o Papa”,
foi a resposta. E logo “O senhor teria que tramitar esta
carta na mesa de partes”, para seguir com “já existe outro
representante, é o Pe. Mateo Garr”. Entretanto, dentro da
reunião já se encontrava Zulma Villa Vílchez como
representante da Conferência Episcopal!!!. Ela mais
incômodada ainda disse - antes de sair espavorida - ter
estado em umas quantas reuniões pois quem mais tinha
participado era Oscar Ayzanoa. Depois ficamos sabendo que
o Sr. Ayzanoa era empregado do Ministério de Justiça que
inclusive entrou em uma das reuniões a nos esclarecer um
assunto técnico. O rigor para a acreditação do novo
representante contrastava com a complacência para os
antigos e diante da pobre argumentação mostrada, o
secretário executivo do Conselho, Dr. José Burneo, não
teve outra opção que aceitar o ingresso.
A reunião se limitou a uma apresentação muito resumida de
um documento de 615 páginas, publicado no website no dia
anterior apenas 15 horas antes. Incrivelmente ninguém
protestou pelo fato (e por sinal, ninguém parecia insone).
O teor da reunião foi que deviam esperar 10 dias para
receber opiniões e as incorporar ao texto para sua
aprovação. O único que interveio foi o representante da
CEP perguntando quais seriam os passos para chegar a uma
versão definitiva do Plano. Pergunta que desataria os
alarmes entanto que para todos esse era o Plano. Nesse
momento só disseram que sua opinião seria tomada como mais
uma, já que a CEP já tinha manifestado sua opinião através
do Pe. Mateo Garr e com isso se deu por terminada a sessão.
Reuniões posteriores
O que seguiu foi passar por cima as opiniões da CEP e
mudar o mínimo possível o Plano. O vício principal desse
rascunho era incluir conceitos e propostas que afetavam o
marco jurídico vigente: eqüidade de gênero, direitos
sexuais e reprodutivos, despenalizar o aborto, incluir o
termo de “orientação sexual” como critério de não
discriminação e um sem número de mudanças na Constituição.
Um dos argumentos que mais ajudou a obter as mudanças foi
que um Plano é uma política pública e não é a forma de
propor novos conceitos jurídicos pois para isso existem
outros mecanismos constitucionalmente já estabelecidos (por
exemplo um projeto de lei no Congresso).
Logo de várias reuniões onde se tentou contestar as
observações da CEP finalmente, o vice-ministro de Justiça,
Dr. Jaime Reyes, disse-nos que se tirariam todos os temas
polêmicos e nos passariam um novo documento para uma
reunião maratônica no dia 25 de novembro. Dito documento
chegou no 24 à noite para que não dar tempo de ser lido.
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Aquele 25 de novembro, o vice-ministro de Justiça, em
qualidade de Presidente do Conselho Nacional dos
Direitos humanos, decidiu resumir mais de 550 páginas
referidas ao marco conceitual e diagnóstico
situacional do documento original reduzindo-as apenas
a 20. Com isso nos enfocaríamos para trabalhar apenas
no Plano que eram as últimas 50 páginas. Essa reunião
durou das 8h30 até 03h30 do dia seguinte, sábado 26. |
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Um Plano é uma política pública e não é a
forma de propor novos conceitos jurídicos pois
para isso existem outros mecanismos
constitucionalmente já estabelecidos |
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Com muita luta um a um foram sendo descartados os
temas polêmicos – mas onde nesciamente não quiseram dar
marcha ré foi sobre o conceito “orientação sexual” embora
se expuseram argumentos poderosos para descartar esse
termo.
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Violação aos direitos humanos, precisamente onde se diz
defendê-los
Em meio desta reunião começou a circular um mail do
Movimento Homossexual de Lima onde davam conta do que ia
acontecendo na reunião e agredindo aos representantes da
CEP por não reconhecer os direitos das pessoas com
diferente “orientação sexual”. O mail tinha sido enviado
esse mesmo dia às 19h53. Uma cópia foi entregue ao vice-ministro
quem momentos depois comprovou que havia um “infiltrado” e
que vários membros supostamente independentes tinham um
discurso que provinha do mesmo lugar. O Sr. Mujica, o Dr.
Burneo e o Sr. Alejandro Silva, representante da
Coordenadora Nacional de Direitos humanos repetiram
palavra a palavra todos os argumentos expostos no mail do
Movimento Homossexual de Lima. A partir daí ficou claro
que todos eles representavam uma mesma frente.
Na segunda-feira 28 de novembro, desde muito cedo
continuou a reunião. Os mails de ataque à Conferência
Episcopal e a filtração de informação continuaram.
Terminou a reunião pela tarde e tampouco pudemos ficar de
acordo no tema da “orientação sexual”.
Um ponto importante do debate foi que um dos princípios
reitores do Plano era o consenso e que a mesma discussão
do termo fazia aconselhável sua exclusão da presente
redação do Plano, sem prejuízo de que no futuro pudessem
haver adições como o assinalou claramente o Presidente da
Conferência Episcopal em carta dirigida ao Ministro da
Justiça, expressando sua oposição ao termo "orientação
sexual". Mas a insistência do lobby “gay” começou a
aparecer nos meios de comunicação. A pressão política
cresceu e tudo isso levou o vice-ministro de Justiça, Dr.
Jaime Reyes, a usar sua influência política e operativa
como Presidente do Conselho Nacional de Direitos humanos
para manipular e favorecer este lobby “gay” ignorando
todas as opiniões contrárias. Entre elas estão não somente
a nossa mas também a do CONEP, outros setores do executivo,
um grupo de congressistas de diversos agrupamentos
políticos e numerosas organizações da sociedade civil.
A estas alturas o texto saiu do âmbito do Conselho para
passar pelos conselhos de vice-ministros e Conselhos de
ministros. Em uma amostra de indefinição política e
imprecisão jurídica sem precedentes, o vice-ministro Reyes
cunhou o termo de “orientação/índole sexual”. Entretanto,
ao ficar claro que era uma tentativa de não descartar o
termo “orientação sexual”, as críticas chegaram de outros
setores do Executivo. Principalmente do Ministério de
Defesa pois a Forças Armadas entenderam perfeitamente que
este termo se converteria em uma dor de cabeça para o
funcionamento da instituição militar.
No Conselho de ministros o Presidente da República, Dr.
Alejandro Toledo não esteve presente na hora do debate
sobre o inédito termo “orientação/índole sexual”, razão
pela qual o texto não sofreu maiores modificações.
Epílogo
O Plano foi aprovado por Decreto Supremo no dia 10 de
dezembro mas diferentemente à anunciada cerimônia no
Palácio de Governo meses atrás pelo Presidente e o
Presidente do Conselho de ministros, houve apenas uma
cerimônia muito privada no Ministério de Justiça. A
rejeição do termo “orientação sexual” já foi manifestada
firmemente em uma comunicação oficial da Conferência
Episcopal à Presidência da República. Membros da
Coordenadora Nacional de Direitos humanos e representantes
de grupos LGBT já adiantaram que protestarão e
possivelmente demandarão ao Estado peruano por
discriminação nas cortes internacionais. Cresce a
incerteza sobre o início de ações programadas no plano.
Cresce simultaneamente a certeza de que deverá ser tomada
uma decisão para que o Plano não nasça morto por falta de
consenso social. |
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