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Boletim N° 23 - Primera-feira,15 de Agosto del 2005

 

 

Tal como informou um jornal local, por estes dias se está produzindo uma “sublevação” em contra do aborto na Colômbia. A Fundação "Rede Futuro Colômbia" é um movimento pluri-confessional que está canalizando o sentir de milhões de colombianos que lutam para que no seu país não se mate aos meninos por nascer. E Carlos Corsi Otárola é um destes lutadores (ver resenha biográfica ao final da entrevista), após décadas de frutífero trabalho. Recebeu-nos na intimidade de seu lar em Bogotá, lugar também de inumeráveis reuniões pró-vida, para nos apresentar sua última obra “O Genocídio que chega”.

 

PRI: Atualmente existe uma demanda na Corte Constitucional que pretende despenalizar o aborto na Colômbia. Sua autora Mónica Roa diz que o aborto deve ser despenalizado em alguns casos extremos como a violação. Qual é sua opinião ao respeito?


DC: É uma mentira fazer acreditar à opinião pública que a demanda se refere exclusivamente a casos de exceção, já que estes seriam estudados pela Corte se a petição principal de legalização total do aborto for negada. A demanda apresenta de tal maneira dita petição subsidiária, que se chegar a prosperar, conduziria a despenalização total. A demanda pretende que se declare inexequível (que não se pode levar a efeito) ou carente de valor legal o artigo 122 do Código Penal, onde se tipifica ao aborto como um delito.

PRI: Quais seriam as conseqüências se a Corte aceitasse esta demanda?


DC: Se legalizaria o aborto em qualquer momento do processo da gravidez e pela livre decisão da mulher. Esta sentença implicaria a participação dos serviços de saúde públicos ou privados para matar ao filho justo antes do momento do parto e ainda no curso deste. A isto último se lhe denomina nascimento parcial e a isso chegaram em outros cantos do mundo.

PRI: Sabemos que detrás da demanda de Mónica Roa há muitos interesses em jogo De onde nasce esse interesse todo por legalizar o aborto? Qual acredita ser a situação de fundo?


DC: Se chama “Colonialismo Demográfico” e se origina em uma errada resposta ao problema da população, a qual diminui dramaticamente nos países ricos. No ano 2025 de cada 100 habitantes do planeta, 5 viverão na opulência e 95 na miséria. O cenário já está sendo e será o de uma ilha de Epulões sentados à mesa rodeados por um oceano de Lázaros.
Um bom dia o poder econômico multinacional determinou que a solução era que nasçam menos pobres e que nestes países pobres sejam mais os que morrem que os que nascem. Isto tecnicamente se chama “implosão demográfica” cujos efeitos são: o rápido envelhecimento da população dentro da miséria; a perda do dinamismo vital, econômico e cultural pela drástica redução da população jovem; em resumo deixar sem futuro ao povo colombiano.

 

 

PRI Quem compõe este poder econômico global que opera o “Colonialismo Demográfico”?


DC: O primeiro dos círculos da élite do poder apareceu nos anos 20 por iniciativa do banqueiro Morgan, cresceu nas seguintes décadas e chegou a sua maturidade quando teve que enfrentar ao comunismo internacional. apresenta-se a si mesmo como um grupo de mais de 1,400 peritos em diplomacia, ciências, finanças e informação situados nos mais altos cargos privados e públicos. O New York Times de 21 de Novembro de 1971 informou: “O Council of Foreign Relations é um clube, um seminário, um presidium, um governo invisível”. Se financia com generosas doações das Fundações Ford e Rockefeller, da ITT, da Exxon, entre outras transnacionais.

O segundo círculo se formou na Europa à imagem do primeiro, ao calor da guerra fria e é conhecido com o nome de Grupo Bildergerg. A eles se somou um terceiro círculo de origem japonesa. Dos três surgiu um que é o mais poderoso da terra: A Trilateral Commission. Esta jogou um papel protagónico no desaparecimento do comunismo e desde 1990 é a mão invisível da globalização que pretende construir “uma nova ordem mundial”, tal como o explica Michael Scooyans.

 

 

PRI: Qual é então a orientação principal da Trilateral Commission?


DC: Citarei as próprias palavras de seu Presidente, David Rockefeller, em 8 de Junho de 1991, diante do Grupo Bildergerg:
“A soberania supranacional de uma élite de banqueiros mundiais é com segurança preferível à auto-determinação nacional que era praticada em séculos passados”.

Eles escolheram à Fundação Ford e à Fundação Rockefeller para desenhar e botar em marcha o controle natal no mundo. Estas por sua vez criaram duas agências para gerenciar o projeto: o Population Council, a agência cérebro, e a Internacional Planned Parenthood Federation (IPPF), como braço operativo. Em 1952 só existiam 8 associações de Planificação Familiar no mundo e quase não tinham influência. Hoje contam com mais de 120 associações nacionais com muita influencia nos governos e nas conferências das Nações Unidas. O Fundo de Nações Unidas para o Actividades em População (UNFPA) nasce de uma gestão do John Rockefeller III com o Secretário das nações Unidas em 1966, U Thant. Incorporou-se também por esses anos o Banco Mundial mercê à gestão de seu Presidente Robert Mc Namara.

 

PRI: Voltando para a Colômbia... Estes mesmos grupos tentaram a despenalização do aborto em 7 oportunidades e foram derrotados. Qual é a diferença agora?


DC: Agora ficaram soubendo (ou trabalharam para isso) que poderiam estar perto de obter a maioria de votos na Corte Constitucional, sobre tudo a partir da rotação de seus membros acontecida a finais do ano 2000. Para aproveitar a junta a Fundação Ford e a IPPF apoiaram a ONG denominada Women´s Link Worldwide, e esta pôs em marcha desde o exterior a iniciativa LAICIA (“Litígio de Alto Impacto na Colômbia, a inconstitucionalidade do aborto”)
Carol Giardina informou que necessitavam apoio em uma conferência ditada na Universidade de Nova Iorque A IPPF ratificou o dito em 13 de Abril de 2005, tal como se pode verificar na sua página Web oficial. No dia seguinte, Mónica Roa introduziu sua demanda na Corte apresentando-se como uma cidadã qualquer preocupada com a saúde das mulheres colombianas. Nada mais afastado da verdade.

PRI: A análise jurídica da demanda de Roa feita por numerosos advogados na América Latina e USA, entre eles o senhor, mostra que não tem sustento nas leis colombianas. Como é possível que se esteja dando capacidade e atenção a uma demanda tão contrária à ordem jurídica colombiano?


DC: Trata-se de procurar uma sentença “política”. A demanda é só um pretexto para obter uma decisão política que legalize o aborto e abra as portas a sua propagação massiva no país e logo possivelmente a outros países latino-americanos.
Nesta obra que agora apresentamos “O Genocídio que chega”, demonstramos não só que a demanda transgride as principais leis colombianas e os tratados internacionais assinados pela nação, senão que além disso é clara a relação que existe com esta maquinária internacional que promove a morte.


 

 
 

Doutor em Direito e Ciências Políticas, UNAL. Membro da Academia Colombiana da Língua, Academia Colombiana de Educação, Academia Colombiana de História Eclesiástica, Academia Boyacense de História, Academia Colombiana de Saúde Pública e Segurança Social. Membro da Equipe de Reflexão Teológica – Pastoral do Conselho Episcopal da América Latina (CELAM). Presidente de Leigos por Colômbia. Membro do Pontifício Conselho para os leigos.

 

 

Exerceu o Direito por 27 anos e como professor universitário. Vice-reitor da Universidade La gran Colômbia. Conferencista convidado no México, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Porto Rico, Venezuela, Equador, Peru, Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina.

Senador da República de Colômbia, pelo Movimento cívico – político Leigos por Colômbia de 1991 a 2002. Desde a Comissão VII do Senado da República interveio nos processos que levaram a expedição do código penal (Lei 599 de 2000), e as normas que estabelecem a Defesa legal da Vida Humana (Artigo 122 C.P.). Porta-voz da oposição aos projetos de lei pro-aborto.

Autor e/ou apresentador de projetos de lei sobre: Segurança social, Saúde pública, Juventude, Família, Moradia, Economia solidária, Educação, Liberdade Religiosa, Plano Nacional de Desenvolvimento.

Como autor e co-autor publicou, entre outras, as seguintes obras:
“Centro América em chamas”, Bogotá, 1982.
“A liberação”, Bogotá, 1991
“O Estado Autêntico”, Bogotá, 1997.
“Horizontes e missão de uma reforma política”, Bogotá, 1999.
“A verdadeira reforma em pensões”, Bogotá, 2000.
“Do capitalismo totalitário à civilização solidária”, Bogotá, 2002.
“Seres humanos material de laboratório?”, Bogotá 2004.
“Resposta ao problema das pensões”, Bogotá, 2004.

 
 
 

 

 
 


Steve Mosher é Presidente do Instituto de Pesquisa da População (Population Research Institute), uma organização sem fins lucrativos dedicada a desfazer a mentira da sobrepopulação no mundo.
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