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Tal como informou um jornal local, por estes dias se
está produzindo uma “sublevação” em contra do aborto
na Colômbia. A Fundação "Rede Futuro Colômbia" é um
movimento pluri-confessional que está canalizando o
sentir de milhões de colombianos que lutam para que
no seu país não se mate aos meninos por nascer. E
Carlos Corsi Otárola é um destes lutadores
(ver resenha biográfica ao final da entrevista),
após décadas de frutífero trabalho. Recebeu-nos na
intimidade de seu lar em Bogotá, lugar também de
inumeráveis reuniões pró-vida, para nos apresentar
sua última obra “O Genocídio que chega”. |
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PRI: Atualmente existe uma demanda na Corte Constitucional
que pretende despenalizar o aborto na Colômbia. Sua autora
Mónica Roa diz que o aborto deve ser despenalizado em
alguns casos extremos como a violação. Qual é sua opinião
ao respeito?
DC: É uma mentira fazer acreditar à opinião pública que a
demanda se refere exclusivamente a casos de exceção, já
que estes seriam estudados pela Corte se a petição
principal de legalização total do aborto for negada. A
demanda apresenta de tal maneira dita petição subsidiária,
que se chegar a prosperar, conduziria a despenalização
total. A demanda pretende que se declare inexequível (que
não se pode levar a efeito) ou carente de valor legal o
artigo 122 do Código Penal, onde se tipifica ao aborto
como um delito.
PRI: Quais seriam as conseqüências se a Corte aceitasse
esta demanda?
DC: Se legalizaria o aborto em qualquer momento do
processo da gravidez e pela livre decisão da mulher. Esta
sentença implicaria a participação dos serviços de saúde
públicos ou privados para matar ao filho justo antes do
momento do parto e ainda no curso deste. A isto último se
lhe denomina nascimento parcial e a isso chegaram em
outros cantos do mundo.
PRI: Sabemos que detrás da demanda de Mónica Roa há
muitos interesses em jogo De onde nasce esse interesse
todo por legalizar o aborto? Qual acredita ser a situação
de fundo?
DC: Se chama “Colonialismo Demográfico” e se origina em
uma errada resposta ao problema da população, a qual
diminui dramaticamente nos países ricos. No ano 2025 de
cada 100 habitantes do planeta, 5 viverão na opulência e
95 na miséria. O cenário já está sendo e será o de uma
ilha de Epulões sentados à mesa rodeados por um oceano de
Lázaros.
Um bom dia o poder econômico multinacional determinou que
a solução era que nasçam menos pobres e que nestes países
pobres sejam mais os que morrem que os que nascem. Isto
tecnicamente se chama “implosão demográfica” cujos efeitos
são: o rápido envelhecimento da população dentro da
miséria; a perda do dinamismo vital, econômico e cultural
pela drástica redução da população jovem; em resumo deixar
sem futuro ao povo colombiano.
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PRI Quem
compõe este poder econômico global que opera o
“Colonialismo Demográfico”?
DC: O primeiro dos círculos da élite do poder apareceu nos
anos 20 por iniciativa do banqueiro Morgan, cresceu nas
seguintes décadas e chegou a sua maturidade quando teve
que enfrentar ao comunismo internacional. apresenta-se a
si mesmo como um grupo de mais de 1,400 peritos em
diplomacia, ciências, finanças e informação situados nos
mais altos cargos privados e públicos. O New York Times de
21 de Novembro de 1971 informou: “O Council of Foreign
Relations é um clube, um seminário, um presidium, um
governo invisível”. Se financia com generosas doações das
Fundações Ford e Rockefeller, da ITT, da Exxon, entre
outras transnacionais.
O segundo círculo se formou na Europa à imagem do primeiro,
ao calor da guerra fria e é conhecido com o nome de Grupo
Bildergerg. A eles se somou um terceiro círculo de origem
japonesa. Dos três surgiu um que é o mais poderoso da
terra: A Trilateral Commission. Esta jogou um papel
protagónico no desaparecimento do comunismo e desde 1990 é
a mão invisível da globalização que pretende construir
“uma nova ordem mundial”, tal como o explica Michael
Scooyans.
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PRI: Qual é
então a orientação principal da Trilateral Commission?
DC: Citarei as próprias palavras de seu Presidente, David
Rockefeller, em 8 de Junho de 1991, diante do Grupo
Bildergerg:
“A soberania supranacional de uma élite de banqueiros
mundiais é com segurança preferível à auto-determinação
nacional que era praticada em séculos passados”.
Eles escolheram à Fundação Ford e à Fundação Rockefeller
para desenhar e botar em marcha o controle natal no mundo.
Estas por sua vez criaram duas agências para gerenciar o
projeto: o Population Council, a agência cérebro, e a
Internacional Planned Parenthood Federation (IPPF), como
braço operativo. Em 1952 só existiam 8 associações de
Planificação Familiar no mundo e quase não tinham
influência. Hoje contam com mais de 120 associações
nacionais com muita influencia nos governos e nas
conferências das Nações Unidas. O Fundo de Nações Unidas
para o Actividades em População (UNFPA) nasce de uma
gestão do John Rockefeller III com o Secretário das nações
Unidas em 1966, U Thant. Incorporou-se também por esses
anos o Banco Mundial mercê à gestão de seu Presidente
Robert Mc Namara.
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PRI:
Voltando para a Colômbia... Estes mesmos grupos tentaram a
despenalização do aborto em 7 oportunidades e foram
derrotados. Qual é a diferença agora?
DC: Agora ficaram soubendo (ou trabalharam para isso) que
poderiam estar perto de obter a maioria de votos na Corte
Constitucional, sobre tudo a partir da rotação de seus
membros acontecida a finais do ano 2000. Para aproveitar a
junta a Fundação Ford e a IPPF apoiaram a ONG denominada
Women´s Link Worldwide, e esta pôs em marcha desde o
exterior a iniciativa LAICIA (“Litígio de Alto Impacto na
Colômbia, a inconstitucionalidade do aborto”)
Carol Giardina informou que necessitavam apoio em uma
conferência ditada na Universidade de Nova Iorque A IPPF
ratificou o dito em 13 de Abril de 2005, tal como se pode
verificar na sua página Web oficial. No dia seguinte,
Mónica Roa introduziu sua demanda na Corte apresentando-se
como uma cidadã qualquer preocupada com a saúde das
mulheres colombianas. Nada mais afastado da verdade.
PRI: A análise jurídica da demanda de Roa feita por
numerosos advogados na América Latina e USA, entre eles o
senhor, mostra que não tem sustento nas leis colombianas.
Como é possível que se esteja dando capacidade e atenção a
uma demanda tão contrária à ordem jurídica colombiano?
DC: Trata-se de procurar uma sentença “política”. A
demanda é só um pretexto para obter uma decisão política
que legalize o aborto e abra as portas a sua propagação
massiva no país e logo possivelmente a outros países
latino-americanos.
Nesta obra que agora apresentamos “O Genocídio que chega”,
demonstramos não só que a demanda transgride as principais
leis colombianas e os tratados internacionais assinados
pela nação, senão que além disso é clara a relação que
existe com esta maquinária internacional que promove a
morte.
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Doutor em Direito e Ciências Políticas, UNAL.
Membro da Academia Colombiana da Língua,
Academia Colombiana de Educação, Academia
Colombiana de História Eclesiástica,
Academia Boyacense de História, Academia
Colombiana de Saúde Pública e Segurança
Social. Membro da Equipe de Reflexão
Teológica – Pastoral do Conselho Episcopal
da América Latina (CELAM). Presidente de
Leigos por Colômbia. Membro do Pontifício
Conselho para os leigos. |
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Exerceu o Direito por 27 anos e como
professor universitário. Vice-reitor da
Universidade La gran Colômbia. Conferencista
convidado no México, Guatemala, Honduras,
Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Porto Rico,
Venezuela, Equador, Peru, Brasil, Bolívia,
Paraguai e Argentina.
Senador da República de Colômbia, pelo
Movimento cívico – político Leigos por
Colômbia de 1991 a 2002. Desde a Comissão
VII do Senado da República interveio nos
processos que levaram a expedição do código
penal (Lei 599 de 2000), e as normas que
estabelecem a Defesa legal da Vida Humana
(Artigo 122 C.P.). Porta-voz da oposição aos
projetos de lei pro-aborto.
Autor e/ou apresentador de projetos de lei
sobre: Segurança social, Saúde pública,
Juventude, Família, Moradia, Economia
solidária, Educação, Liberdade Religiosa,
Plano Nacional de Desenvolvimento.
Como autor e co-autor publicou, entre outras,
as seguintes obras:
“Centro América em chamas”, Bogotá, 1982.
“A liberação”, Bogotá, 1991
“O Estado Autêntico”, Bogotá, 1997.
“Horizontes e missão de uma reforma
política”, Bogotá, 1999.
“A verdadeira reforma em pensões”, Bogotá,
2000.
“Do capitalismo totalitário à civilização
solidária”, Bogotá, 2002.
“Seres humanos material de laboratório?”,
Bogotá 2004.
“Resposta ao problema das pensões”, Bogotá,
2004.
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