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Boletim 22 - Quinta-feira 4 de agosto de 2005

 

Colômbia no centro da luta pelos meninos por nascer na América Latina


Um fato insólito se vem apresentando na Colômbia em torno de uma demanda de despenalização do aborto na Corte Constitucional: enquanto as leis e dois milhões de intervenções cidadãs ante a Corte condenam o aborto, as autoridades desse país vêm favorecendo descaradamente a uma minoria pró abortista com muito poder e dinheiro vindo dos Estados Unidos.
 

Em 14 de Abril passado Mónica Roa, apresentando-se como uma cidadã colombiana mais, introduziu uma demanda ante a Corte Constitucional pedindo a despenalização do aborto. Entretanto, esta não foi uma surpresa para as organizações pró vida. Alguns meses atrás estava previsto que na Colômbia iria ter lugar uma das mais importantes batalhas pela proteção legal dos meninos por nascer na América Latina. No artigo do presente boletim, tentaremos descrever alguns fatos que dêem uma idéia de tudo quanto há por trás da demanda de Mónica Roa.
 

Mais de uma dezena de intervenções jurídicas chegaram até a Corte com dois milhões de cidadãos colombianos aderindo-se a elas. Também se apresentaram em debates na mídia e demonstraram a debilidade jurídica da demanda de Roa. Recentemente, o Defensor do Povo e o Procurador geral se mostraram grosseiramente parcializados com os grupos feministas apoiando a demanda de Roa copiando fielmente os seus argumentos. Como diz o ex-senador Colombiano Carlos Corsi Otárola “a demanda é só um pretexto para obter a decisão política que legalize o aborto e abra as portas a sua propagação massiva”.
 

Como sempre, há muito dinheiro investido. Dinheiro que permitiu construir uma carreira acadêmica e profissional a uma advogada como Mónica Roa, preparando-a por anos para desenvolver uma estratégia manipuladora. Dinheiro que mobilizará muitas vontades e comprará consciências. E como todo investimento, procurará retorno e benefício para o investidor. Sobre este tema trataremos em um seguinte boletim.
 

Pelos primeiros resultados poderíamos pensar que a simples estratégia esaria sendo efetiva. E tal como afirmasse Roa em uma conferência em Nova Iorque sem nenhum escrúpulo, os membros da Corte Constitucional estão sendo enrolados. Mas a realidade é um pouco mais complicada. Um dos magistrados que sentenciará sobre a demanda de Roa prefaciou seu livro “Corpo e Direito”. Foi pedida a exclusão deste e de outro magistrado no caso, por adiantamento de opinião. Obviamente há muitas organizações e advogados pró vida que estão enfrentando esta situação com muita coragem. Roa respondeu com um pedido similar por outro magistrado que foi professor em uma universidade católica dizendo que suas crenças religiosas o parcializam.
 

Enquanto isso a luta prossegue.
 

 
 
Carlos Polo Samaniego
Diretor Escritório para a América Latina
Population Research Institute
 
 

Os encarregado da Recepção de Documentos da Corte Constitucional da Colômbia viram enormemente reduzido seu espaço de trabalho de um momento a outro. Em 20 de junho deste ano chegou uma delegação de 18 jovens profissionais colombianos em representação de 306,000 cidadãos. Cada um deles apresentava uma ação legal individual contra uma das duas demandas que exigia a despenalização do aborto. De tal modo, em um fato sem precedentes, várias dezenas de milhares de fólios ocupavam a maior parte do escritório em questão. O que não se imaginaram nunca é que duas semanas depois chegariam pouco menos de 2´000,000 de intervenções cidadãs mais, só que desta vez em contra da demanda de Mónica Roa.

A Fundação Rede Futuro a Colômbia foi encarregada de recolher estas adesões pelo território nacional. Está presidida pela Dra. Ilva Miriam Hoyos, reconhecida advogada colombiana, e agrupa a organizações católicas, muçulmanas, judias e a pessoas de outras crenças.
 

A demanda de Mónica Roa


A demanda apresentada por Mónica Roa foi o cume de um processo preparado por anos. Um marco importante desta história é o livro “Corpo e Direito” do qual é co-autora e foi publicado em Novembro de 2001. Nesta obra ela expõe toda a ideologia dos conhecidos “direitos reprodutivos” onde o aborto é um dos direitos humanos reclamados para a mulher. Atualmente Roa é advogada associada ao Center for Reproductive Rights e desde seus escritórios em Nova Iorque preparou uma bem montada estratégia com muita dose de arte cênica. Para nos dar uma idéia do maquiavélico plano temos uma breve resenha de uma conferência que Roa oferecera no New York School of Law em março deste ano (
link). Citaremos algumas de suas expressões nesse evento:

“Legalmente é um caso muito fácil. É somente um assunto de vontade política” disse Roa. Explicou que controlando os termos do debate na Corte e nos meios obteria seu propósito.

 

“Estamos trabalhando como um grupo de atores executando uma peça de teatro. Todos nós temos diferentes papéis para que minha proposta apareça como uma posição moderada”.

 

 Inclusive sua pertença ao Center for Reproductive Rights foi astutamente mascarada porque essa organização defende abertamente o aborto à demanda (link) e Roa estava apenas pedindo despenalizar o aborto em alguns casos extremos.

 

“Os grupos feministas na Colômbia não têm uma boa reputação. Ainda quando me considero uma feminista, há muitos estereótipos a respeito das feministas na Colômbia”. Inclusive expôs que entre seus planos estava considerado um articulo jornalístico escrito por um advogado liberal criticando-a por não ser suficiente radical em sua demanda.

 

 “A idéia é jogar com a mente dos magistrados, de modo que vou usar pérolas e assistirei pouco a festas esses dias. Tudo seja pela causa.”

Mónica Roa desenvolveu uma trajetória pró abortista importante no Center for Reproductive Rights e vê esta demanda como uma desafio para liberalizá-lo em toda a América Latina. Inclusive recolheu e analisou vários litígios internacionais tratando de extrair deles uma metodologia. Por esta razão titula um ensaio “Qual o papel que pode jogar o litígio internacional na promoção e desenvolvimento dos direitos reprodutivos na América Latina?” em co-autoria com a Luisa Cabal e Lilian Sepúlveda. E não é outra coisa que uma série de raciocínios e conselhos para subverter a ordem legal que protege a vida do menino por nascer nesta região. Longe de ser uma investigação e desenvolvimento da ciência jurídica, trata-se mas bem da aplicação de uma ideologia no âmbito legal. Citando suas próprias palavras: “as Cortes podem oferecer excelentes vias para suscitar a mudança”.

De tal modo que em função da imagem que queria projetar, não foi o CRR quem reclamou a autoria intelectual da demanda mas pelo contrário se escolheu outra ONG feminista: Women Link Worldwide (WLW). Esta tem sua sede em Madri e Roa tem o cargo de Diretora do Programa de Justiça de Gênero.

No website do WLW se descreve como a Colômbia foi escolhida como branco para esta iniciativa de despenalização do aborto. Foi nomeado Projeto LAICIA – Litígio de Alto Impacto na Colômbia: a inconstitucionalidade do aborto.(ver ). Através dele, “demanda a constitucionalidade da lei que no Código Penal da Colômbia penaliza o aborto em toda circunstância. A liberalização desta lei suporia um avanço dos direitos reprodutivos das mulheres no país e sentaria um importante precedente em toda a região. A iniciativa LAICIA é um exemplo claro do uso do litígio de impacto como uma estratégia para promover os direitos humanos, e Women’s Link utilizará a experiência para mostrar à sociedade civil como se pode utilizar o tribunais para avançar os direitos das mulheres”.

Entre os doadores do WLW ou “sócios” como eles os chamam estão a Fundação Ford e UNFPA. Uma revisão do website da Fundação Ford nos arroja dois projetos financiados no 2004 estreitamente relacionados com o que sabemos de Roa até agora. O primeiro tem como beneficiário ao WLW por um montante de 100,000 dólares cujo objetivo é “promover o uso da legislação internacional em direitos humanos para desenvolver e proteger direitos”. E o segundo o recebe “The Center for Reproductive Rights, Inc” por um monto de 200,000 dólares e cuja finalidade é “a reestruturação organizacional e o desenvolvimento para facilitar o processo de transição de liderança”
 

Doação da Fundação Ford para Women's Link Worldwide de Mônica Roa para "promover o uso da legislação internacional em direitos humanos e proteger direitos"

link


Protocolo Facultativo do CEDAW


Por estes dias também se aprovou no Senado a ratificação do Protocolo Facultativo do CEDAW por parte da Colômbia. Este Protocolo é o resultado de um consistente trabalho de reinterpretação ideológica por parte do Comitê de seguimento da CEDAW pelos Estados Parte. Este comitê em sua recomendação 24 (20 período de sessões, 1999) deixa bem em claro que promove abertamente o aborto. Por outro lado, o Protocolo lhe confere uma autoridade ilimitada a dito Comitê afetando gravemente a soberania dos Estados Parte. O argumento central da demanda de Roa são precisamente as recomendações a legalizar o aborto na Colômbia feitas por este comitê, e sem dúvida esta junta era favorável sobremaneira para sua apresentação.

Faltaria ainda a assinatura do presidente Álvaro Uribe quem recebeu numerosas críticas e muita pressão por parte destes dois milhões de intervenções cidadãs tendo em conta que está preparando-se para as próximas eleições gerais na Colômbia e uma eventual reeleição.

 

 
 


Steve Mosher é Presidente do Instituto de Pesquisa da População (Population Research Institute), uma organização sem fins lucrativos dedicada a desfazer a mentira da sobrepopulação no mundo.
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