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O aborto
“enlatado”
No jargão de
TV, um “enlatado” é um programa pre-gravado geralmente
utilizado para encher os espaços vazios da programação diária.
Mais freqüentemente ainda, os que recorrem a esses “enlatados”
estão totalmente afastados da missão que tem um meio de
comunicação de transmitir cultura. Os move, pelo contrário, um
fim mais imediato, por exemplo melhorar o índice no Ibope e
lucros com mínimo investimento. O termo encontra sua origem na
técnica de conservar os mantimentos dentro de uma lata cuja
preparação em série tem como objeto o ser consumido tempo
depois em uma localidade diferente.
Queremos trazer esses termos, o da TV e o dos mantimentos,
para descrever aos programas de controle natal e
especificamente de promoção do aborto na América Latina. O
jurista argentino Atilio Álvarez em uma de suas visitas ao
Peru nos deixava em uma de suas conferências esta sugestiva
figura. Diante do evidente fracasso em todo mundo dos
programas de controle natal, descrevia-nos a lista de
promessas incumpridas de acabar com os abortos ilegais ou
gravidezes de adolescentes, de trazer mais felicidade aos
casais, de contribuir à melhora da economia, e vários
etcéteras, além de criar novos problemas como os da saúde para
a mulher, a desintegração da família ou o envelhecimento da
população. Comentava o Dr. Álvarez a respeito da aplicação de
programas de controle natal na América Latina que “antes de
importar ideologias enlatadas devíamos olhar a data de
expiração para não nos levar uma decepção”.
Assim como os enlatados de TV e as conservas não são a melhor
escolha diante de uma boa produção nacional ou uma boa comida
caseira, os programas enlatados do aborto não respondem a uma
reflexão ou a uma necessidade local. Respondem absolutamente a
um fim mais imediato que é a introdução da indústria do aborto
em nossos países latino-americanos. São importações em apóio a
uma mensagem e argumentos bastante gastos, e pelo mesmo
contestáveis com relativa facilidade. Preparados em latitudes
longínquas contêm elementos indigestos que devemos explorar
mas que serão consumidos se não fizermos nada melhor pelo
nosso lado.
Ignacio Moro nos oferece neste boletim uma documentada crônica
de uma recente campanha de legalização do aborto em Córdoba,
sua cidade natal. Certamente reconhecerá os mesmos slogans, os
mesmos argumentos, as mesmas estratégias que seguro terá visto
em outro “enlatado” realizado em seu país. Também inclui
algumas ações pró vida muito sugestivas. A seguir reproduzo
também o excelente e oportuno serviço informativo NOTIVIDA
dirigido pelo padre Juan Claudio Sanahuja com as cifras
oficiais que mostram a pobreza e falácia dos argumentos desta
campanha abortista.
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Carlos Polo |
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Diretor
Escritório para a América Latina |
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Population Research Institute |
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Ignacio
Moro |
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Nasceu na cidade de
Buenos Aires (Argentina), onde se formou como
Engenheiro Eletromecánico. Sua carreira profissional
esteve vinculada principalmente à indústria
automotriz.
Foi co-fundador em 1983 do Movimento Família e Vida,
participando após de diversas campanhas em defesa dos
valores da família e a vida, seguindo o chamado do
Papa João Paulo II na sua encíclica “Familiaris
Consortio”.
Em 1993 foi co-fundador e primeiro Presidente da
Fundação Argêntea, que tem como fim promover o
desenvolvimento integral da pessoa humana na sociedade,
dos valores da vida e a família. Ali participou da
publicação da revista “Vertebrar”, e representou à
fundação na Roda de Enlace de ONGs. Também coordenou a
venda e difusão na província de Córdoba (Argentina),
da coleção de livros “Aprendendo a Querer” (desenvolvimento
da personalidade e educação sexual para adolescentes)
editada pelo ALAFA.
Atualmente é Vice-presidente de dita fundação, e vive
na cidade de Córdoba.
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Na sexta-feira 27
de maio, a cidade de Córdoba, no centro
geográfico da Argentina, assistiu ao
lançamento da “Campanha Nacional pelo Direito
ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito”. Mediante
esta campanha, e sob o lema "Educação sexual
para decidir, Anticoncepcionais para não
abortar, Aborto legal para não morrer" as
principais ONGs feministas do país, recolherão
assinaturas durante 6 meses, a fim de forçar a
legalização e gratuidade do aborto em todos os
casos. O encerramento será 25 de novembro,
“Dia de Ação contra toda Violência para a
Mulher”, com uma marcha federal até o
Congresso Nacional.
Dito lançamento consistiu na instalação das
chamadas “rádios abertas” nos lugares
principais de Córdoba, Buenos Aires, Rosário,
Mendoza e Neuquén. Enquanto as rádios
difundiam a tarde toda propaganda abortista,
as organizadoras juntavam assinaturas e
repartiam abundante material impresso e cintas
verdes, o símbolo da campanha.
A repercussão na imprensa foi muito importante
a nível local e nacional, e não refletiu a
escassa convocatória popular dos atos. As
mesmas organizadoras, relataram que foram
superadas em número pelos jornalistas
presentes.
Liliana Vázquez, dirigente de “Católicas pelo
Direito a Decidir” -ONG internacional que
lidera esta campanha e cuja filial argentina
tem sede em Córdoba- declarou à Voz do
Interior: “Os direitos sexuais e os
reprodutivos, dos que o aborto faz parte, são
parte integrante dos direitos humanos”. Em
tanto que Marta Alanís, da mesma ONG e
coordenadora nacional da campanha, disse a
Página/12: “as palavras do Ministro da Saúde e
o enfrentamento com a Igreja habilitaram o
momento e agora terá que aproveitá-lo”,
referindo-se às declarações do Ministro Ginés
González García a favor do aborto, e ao
posterior intento do Presidente Kirchner de
remover ao Bispo Militar Dom Baseotto, quem
tinha pedido a renúncia de dito ministro. Como
era de supor, González García apoiou
publicamente a campanha
(www.pagina12.com.ar).
Uma das características deste tipo de
campanhas -e esta não é exceção- é a
manipulação das cifras. Por exemplo, a
quantidade anual de abortos na Argentina é
estimada entre 350.000 e 500.000
(www.lavozdelinterior.net),
ou entre 700.000 e 1.000.000
(www.lmcba.com.ar).
Cabe perguntar-se se isto é possível, quando
na Espanha, um país com 30% mais de população
e uma sociedade mais secularizada, realizaram-se
em 2002 algo mais de 70.000 abortos legais.
Chama a atenção também, que ainda quando se
pretende justificar a legalização do aborto na
grande quantidade de mortes maternas por
abortos mau realizados, nunca se dão cifras. A
razão é, que segundo dados oficiais do INDEC
(Instituto Nacional de Estatísticas e Censos),
o total de mortes maternas por aborto (espontâneo
ou provocado) em 2003 na Argentina foi de 83.
A só menção desta cifra, deixaria em evidência
a falsidade das anteriores estimativas sobre o
total de abortos clandestinos.
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Outra forma de engano é magnificar o apoio
popular a estas iniciativas, criando a
sensação de que a maioria da população as
apóia. María Virginia Magro, uma jovem
cordovesa que presenciou o ato, afirmou que as
organizadoras não passavam de 15 ao longo da
tarde
(www.lmcba.com.ar),
e que um de jovens que distribuia propaganda e
preservativos lhe confessou que recebiam
salários do Ministério de Saúde e apoio
econômico da OMS. Para ter uma idéia, a página
Web de uma das ONGs organizadoras
(www.rimaweb.com.ar),
celebrava ter juntado essa tarde em Córdoba
600 assinaturas. Na página Web pro-aborto
www.argentina.indymedia.org
podem ver-se fotos do evento onde é obvio não
há nenhuma que mostre uma quantidade
significativa de pessoas.
Cristina González Agüero, presidenta da ONG
pro-vista “Mulheres pela Vida” do Córdoba,
opina que o Ministro da Saúde “já fracassou”
(www.lmcba.com.ar)
pois logo depois de 4 anos de gestão, nos que
a Argentina foi notícia mundial por vários
casos de meninos falecidos por desnutrição,
este problema segue sem resolver. Na sua carta
ao jornal A Manhã de Córdoba, Cristina relata
que em um congresso de nutricionistas
realizado recentemente nessa cidade, a
responsável por nutrição infantil do
Ministério de Saúde da Nação confessou que “em
média, em nosso país, um de cada dois meninos
entre seis meses e dois anos de idade
apresenta um déficit de micronutrientes, em
especial de ferro (anemia) e zinc”. Dois dias
depois, em 31 de maio, A Voz do Interior
(www.lavozdelinterior.net)
publicou a notícia da morte por desnutrição do
Raúl Alcides Roa, um adolescente formoseño de
14 anos, ocorrida 19 dias antes.
Entretanto, para o Ministro Ginés González
García, uma das prioridades para a atribuição
do orçamento foi a promoção da “saúde sexual e
reprodutiva”, e agora o aborto. Pareceria que
a única maneira de evitar a desnutrição
infantil que encontrou o outrora “celeiro do
mundo”, é impedindo a gestação e o nascimento
de mais meninos argentinos. |
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Quem briga
pela despenalização do aborto fundam suas
reclamações no “volumoso” numero de
mulheres que morrem por praticar um
“aborto inseguro”. Sem deixar de
reconhecer a importância que tem cada
morte, cabe destacar que as cifras não
assinalam ao aborto como uma “prioridade
sanitária”.
Segundo os últimos dados providos pela
Direção de Estatísticas e Informação de
Saúde, do Ministério de Saúde; durante o
ano 2003 se produziram 304 mortes
maternas, quer dizer relacionadas com uma
gravidez, parto ou puerpério; das quais 83
estão vinculadas ao aborto –espontâneo ou
provocado-. Para avaliar a magnitude
lembremos que nesse mesmo ano morreram ao
redor de 11.500 crianças menores de um
ano, por causas, na sua maioria evitáveis.
Com respeito à mortalidade materna
consignemos além que:
O nível de sub-registro estimado em nosso
país não alcança o 10%; contrariamente ao
que aduzem os abortistas para inflar as
cifras: “a clandestinidade do aborto
conduz um enorme sub-registro”. (v.
Notivida nº 239)
Uma estrutura hospitalar deficiente
aumenta 10 vezes o risco de mortalidade
materna e na Argentina só o 40% das
maternidades cumprem com as condições
obstétricas mínimas. (v Notivida nº 239)
A mortalidade materna se incrementa
notoriamente com as cesarianas e em nosso
país 1 de cada três partos –inexplicavelmente-
é por cesariana. (Página 12, 31/03/05)
Evidentemente, ainda à margem das objeções
morais que suscita o aborto, há muitas
coisas para corrigir antes que expor seu
despenalização.
NOTIVIDA, Ano V, nº 288, 28 de abril de
2005
Editor:
Pbro. Dr. Juan C. Sanahuja
Coeditor:
Lic. Mónica del Río
Página web:
http://www.notivida.com.ar
Email:
notivida@notivida.com.ar |
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