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Os novos modos
de promover o aborto na América Latina
Os promotores do aborto na América Latina foram criando novas
maneiras de ação para conseguir seu objetivo. Faz um bom tempo
abandonaram o esquema único de promover uma lei desde o poder
executivo ou legislativo que legalize ou despenalize o aborto.
Uma das razões é que vieram fracassando uma e outra vez.
Convém então conhecer estes novos métodos, estar alertas e
estar preparados para enfrentá-los.
Coloco, a modo de exemplo, um texto de leitura obrigada em um
programa universitário de gênero titulado “Seguindo as pegadas
de um futuro incerto: do aborto aos direitos sexuais e
reprodutivos” (Durand, Teresa e Gutiérrez, Alicia, Santiago do
Chile, 1999). Ao descrever o processo evolutivo de seu
pensamento e ação assinalam o seguinte:
“A sexualidade, especialmente o aborto, foi crucial na década
dos setenta como visualização da problemática feminina, onde
no direito ao corpo se jogaram as percepções da diferença e a
igualdade. Nos anos oitenta e noventa as conferências
internacionais, conjuntamente com as ONGs como novas formas de
participação das mulheres...Nestas duas últimas décadas os
direitos sexuais e reprodutivos surgiram em uma dupla dimensão:
como caracterização teórica das necessidades das mulheres e
como eixo articulador das demandas”
Quer dizer, não trocaram seus objetivos primários (legalizar o
aborto entre outras coisas) mas sim se reinventaram sob um
novo discurso (direitos sexuais e reprodutivos). Em outras
palavras, a agenda destes grupos onde se inscreve a "necessidade"
de legalizar o aborto tem como ponto focal e como discurso
vendedor os “direitos sexuais e reprodutivos”. O resultado é
que quem “compra direitos sexuais e reprodutivos” não sabe a
tudo o que está se expondo. Por outro lado, é mais fácil para
eles combater aos que se opõem às suas propostas qualificando-os
como opositores à liberdade e aos direitos das mulheres.
Possivelmente um exemplo pode ilustrar o ponto. Faz dois dias
em um noticiário da televisão peruana entrevistaram a umas
senhoras humildes de uma provincia nos Andres que tinham
participado do programa Reprosalud do movimento feminista
Manuela Ramos e financiado pelo USAID. Em resumo estas
senhoras disseram que estavam felizes porque tinham lhes
ensinado a fazer respeitar seus “direitos reprodutivos” e que
seus maridos agora as tratavam muito bem, e que agradeciam
muito ao programa. Ato seguido perguntaram a Susana Moscoso de
Manuela Ramos sobre o impacto do programa nestas mulheres. E
ela respondeu que era muito bom porque a taxa de uso de
anticoncepcionais tinha passado de 5% a 23% nessa zona.
E embora esta resposta mais ou menos expressa a direção para
onde aponta o programa, cabe perguntar-se que tem que ver isto
com o aborto? A resposta é: tempo para trocar a situação legal
do aborto. Na revista “Quality/Calidad/Qualité” No.10, 2001
publicada pelo Population Council, pág.16 mencionam que as
membros da Manuela Ramos no Reprosalud entre elas Susana
Moscoso “tiveram que sacrificar sua possibilidade de expressar-se
livremente em referência ao aborto”, “porque o governo dos
Estados Unidos—pressionado por políticos opostos ao aborto
nesse país— voltou a aplicar uma política que proíbe o
financiamento de qualquer projeto que proporciona abortos,
deriva para abortos, ou inclusive promove reformas relativas
ao aborto”. (ver ) Hoje em dia não o dizem, mas com segurança
se não significa que não estejam trabalhando para isso.
Quais são estes novos modos de ação?
a) a reinterpretação ideológica da CEDAW e outros tratados
internacionais em direitos humanos.
b) a multiplicação de ONGs a favor dos direitos sexuais e
reprodutivos (ver por exemplo)
http://www.convencion.org.uy/menu1-13.htm
c) o uso dos litígios internacionais e nacionais nas cortes
constitucionais ou na Corte Internacional de Direitos humanos.
d) a penetração da ideologia de gênero no âmbito das políticas
públicas.
e) a denominação de saúde sexual e reprodutiva a todos os
programas de planificação familiar.
f) a representatividade na sociedade civil para influir na
política e o gasto públicos.
g) a atenção ao aborto incompleto para ir criando serviços de
aborto cirúrgico e médicos capacitados em fazer esses
procedimentos enquanto não se aprova uma lei que despenalize o
aborto.
h) o trabalho comunicacional centrado no exagero de mortes
maternas para sensibilizar para a necessidade do aborto legal.
i) o trabalho de demolição à Igreja Católica e a seus
representantes sob a desculpa do “estado laico”.
j) o trabalho de lobby permanente com parlamentares para
suscitar projetos de lei de “saúde reprodutiva” para seguir
com outros sobre “direitos reprodutivos”, “autonomia sexual” e
“orientação sexual” demais eufemismos para escavar a proteção
legal à vida e à família.
k) a venda e implementação de programas públicos de
“anticoncepção de emergência”.
São relativamente novos mas seguem patrões similares que podem
ser identificados. O manejo da informação adequada com
respeito a alguns deles foi muito útil para enfrentar melhor
algumas juntas em nossa região.
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