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Boletim N° 16 - Quinta-feira 25 de Mayo del 2005

 

Os novos modos de promover o aborto na América Latina

Os promotores do aborto na América Latina foram criando novas maneiras de ação para conseguir seu objetivo. Faz um bom tempo abandonaram o esquema único de promover uma lei desde o poder executivo ou legislativo que legalize ou despenalize o aborto. Uma das razões é que vieram fracassando uma e outra vez. Convém então conhecer estes novos métodos, estar alertas e estar preparados para enfrentá-los.

Coloco, a modo de exemplo, um texto de leitura obrigada em um programa universitário de gênero titulado “Seguindo as pegadas de um futuro incerto: do aborto aos direitos sexuais e reprodutivos” (Durand, Teresa e Gutiérrez, Alicia, Santiago do Chile, 1999). Ao descrever o processo evolutivo de seu pensamento e ação assinalam o seguinte:
“A sexualidade, especialmente o aborto, foi crucial na década dos setenta como visualização da problemática feminina, onde no direito ao corpo se jogaram as percepções da diferença e a igualdade. Nos anos oitenta e noventa as conferências internacionais, conjuntamente com as ONGs como novas formas de participação das mulheres...Nestas duas últimas décadas os direitos sexuais e reprodutivos surgiram em uma dupla dimensão: como caracterização teórica das necessidades das mulheres e como eixo articulador das demandas”

Quer dizer, não trocaram seus objetivos primários (legalizar o aborto entre outras coisas) mas sim se reinventaram sob um novo discurso (direitos sexuais e reprodutivos). Em outras palavras, a agenda destes grupos onde se inscreve a "necessidade" de legalizar o aborto tem como ponto focal e como discurso vendedor os “direitos sexuais e reprodutivos”. O resultado é que quem “compra direitos sexuais e reprodutivos” não sabe a tudo o que está se expondo. Por outro lado, é mais fácil para eles combater aos que se opõem às suas propostas qualificando-os como opositores à liberdade e aos direitos das mulheres.

Possivelmente um exemplo pode ilustrar o ponto. Faz dois dias em um noticiário da televisão peruana entrevistaram a umas senhoras humildes de uma provincia nos Andres que tinham participado do programa Reprosalud do movimento feminista Manuela Ramos e financiado pelo USAID. Em resumo estas senhoras disseram que estavam felizes porque tinham lhes ensinado a fazer respeitar seus “direitos reprodutivos” e que seus maridos agora as tratavam muito bem, e que agradeciam muito ao programa. Ato seguido perguntaram a Susana Moscoso de Manuela Ramos sobre o impacto do programa nestas mulheres. E ela respondeu que era muito bom porque a taxa de uso de anticoncepcionais tinha passado de 5% a 23% nessa zona.

E embora esta resposta mais ou menos expressa a direção para onde aponta o programa, cabe perguntar-se que tem que ver isto com o aborto? A resposta é: tempo para trocar a situação legal do aborto. Na revista “Quality/Calidad/Qualité” No.10, 2001 publicada pelo Population Council, pág.16 mencionam que as membros da Manuela Ramos no Reprosalud entre elas Susana Moscoso “tiveram que sacrificar sua possibilidade de expressar-se livremente em referência ao aborto”, “porque o governo dos Estados Unidos—pressionado por políticos opostos ao aborto nesse país— voltou a aplicar uma política que proíbe o financiamento de qualquer projeto que proporciona abortos, deriva para abortos, ou inclusive promove reformas relativas ao aborto”. (ver ) Hoje em dia não o dizem, mas com segurança se não significa que não estejam trabalhando para isso.

Quais são estes novos modos de ação?
a) a reinterpretação ideológica da CEDAW e outros tratados internacionais em direitos humanos.

 
b) a multiplicação de ONGs a favor dos direitos sexuais e reprodutivos (ver por exemplo) http://www.convencion.org.uy/menu1-13.htm


c) o uso dos litígios internacionais e nacionais nas cortes constitucionais ou na Corte Internacional de Direitos humanos.


d) a penetração da ideologia de gênero no âmbito das políticas públicas.


e) a denominação de saúde sexual e reprodutiva a todos os programas de planificação familiar.

 
f) a representatividade na sociedade civil para influir na política e o gasto públicos.


g) a atenção ao aborto incompleto para ir criando serviços de aborto cirúrgico e médicos capacitados em fazer esses procedimentos enquanto não se aprova uma lei que despenalize o aborto.


h) o trabalho comunicacional centrado no exagero de mortes maternas para sensibilizar para a necessidade do aborto legal.


i) o trabalho de demolição à Igreja Católica e a seus representantes sob a desculpa do “estado laico”.


j) o trabalho de lobby permanente com parlamentares para suscitar projetos de lei de “saúde reprodutiva” para seguir com outros sobre “direitos reprodutivos”, “autonomia sexual” e “orientação sexual” demais eufemismos para escavar a proteção legal à vida e à família.


k) a venda e implementação de programas públicos de “anticoncepção de emergência”.

São relativamente novos mas seguem patrões similares que podem ser identificados. O manejo da informação adequada com respeito a alguns deles foi muito útil para enfrentar melhor algumas juntas em nossa região.

 

 
 
   
Carlos Polo
Diretor Escritório para a América Latina
Population Research Institute
 

Nestes dias se vê uma ofensiva em todo o continente para ganhar espaços jurídicos e políticos a favor do aborto legal. Três exemplos: o caso argentino, o brasileiro e o colombiano.

Este rápido olhar mostra suspeitas coincidências nestes dois eventos que poderiam parecer isolados. Mas em política não há coincidências e não terá que ser muito suspicaz para advertir as conveniências que estão presentes nestes lobbys que se movem a nível continental. O grande problema é que a gente real é, novamente, a que fica fora dos cálculos dos que têm o poder.


Em 14 de Maio foi apresentada uma demanda na Corte Constitucional. Nela se solicita que não se penalize o aborto (1) quando estiver em perigo a vida ou a saúde da mulher, (2) que a gravidez seja resultado de um “acesso carnal ou ato sexual” sem consentimento (3) que exista uma grave má formação do feto incompatível com a vida extrauterina. Para efeitos estritamente legais a demanda é apresentada por Mónica Roa, uma advogada colombiana supostamente preocupada com a saúde das mulheres e os direitos constitucionais de seu país.

 

Entretanto, a realidade é bastante diferente. Mónica Roa é um membro do Center for Reproductive Rights (CRR), uma poderosa organização que promove o aborto a demanda como um dos direitos reprodutivos ( ). Deste modo é autora de um extenso artigo titulado: “Que papel jogam os litígios internacionais na promoção e desenvolvimento dos direitos reprodutivos na América Latina?”, que não é mais que a descrição de uma metodologia para minar a proteção ao menino por nascer e lhe dar capacidade a supostos “direitos reprodutivos” como o aborto. Quer dizer, seu calculado pedido de despenalizar o aborto em alguns casos não é mais que um passo, uma etapa no processo de legalizar o aborto a demanda tal como rezam os princípios do CRR.

Embora em anteriores oportunidades a mesma Corte Constitucional tinha declarado que a despenalização do aborto era inconstitucional e tinha o status de coisa julgada, Roa declara que há novos elementos a considerar em virtude às recomendações feitas pelos comitês de monitoração de tratados de direitos humanos “para liberalizar a lei que penaliza o aborto em todas as circunstâncias”. Entre eles e principalmente, cita ao Comitê da CEDAW. Sobre a legitimidade deste Comitê e destas “recomendações” já nos ocupamos em anteriores boletins (http://www.lapop.org/boletin/boletin12.html )


No caso da Argentina o caso mais forte neste sentido foi o gerado pelas afirmações do Ministro da Saúde, Ginés González, no sentido de que seria bom despenalizar o aborto. Diante de tais palavras o Bispo Militar, Monsenhor Basseotto, reagiu ameaçando-o a que deixe de fazer “apologia do delito” ou renuncie.

 

A resposta do governo foi fazer uma interpretação tergiversada da carta de Basseotto, gerando um conflito diplomático que levou às relações entre a Argentina e o Vaticano a seu nível mais tenso.

Assim ocultaram a verdadeira matéria do problema: o lobby de um funcionário a favor de um delito como o aborto. E novamente a sabida receita de exagerar as mortes maternas. O Ministro do Interior, Aníbal Fernández, ao defender a seu par disse: “Que esteja a favor do aborto não o faz um abortista” (O torna então um “pró vida”?).

 


Outro exemplo é o do Brasil. Lá se aprovou a “Norma Técnica de Atenção Humanizada do Aborto”.

 

É importante assinalar que no Brasil o aborto em caso de estupro não dá prisão, até agora o procedimento consistia em contar com um atestado policial que apóie a denúncia de violação.

 

Com a nova norma basta com a palavra da paciente para que o médico da rede pública de saúde esteja “obrigado” a  praticar-lhe o aborto. Isto abre as portas a que qualquer mulher argumente ter sido estuprada (seja ou não verdade) para “usar os serviços do Governo para praticar um aborto”.

 

Mas como pode um serviço federal estar apto para realizar abortos sendo isto ilegal? Existe nos serviços ginecológicos de emergência um método chamado AMEU (Aspiração Manual Uterina), procedimento necessário para atender abortos incompletos, já sejam espontâneos, já sejam provocados (ilegais neste caso).

A estratégia consiste em capacitar aos médicos no uso do AMEU mas com um “plus” para que possam converter-se em fornecedores de serviços de aborto.

Isto o explica o documento “Incrementando o Acesso ao Aborto Seguro: Estratégias para a Ação” da International Women´s Health Coalition (IWHC). O documento estabelece:

“A experiência do pessoal de serviços de saúde no tratamento das complicações de abortos pode lhes ajudar a entender (...) que fica dentro das suas capacidades oferecer tais serviços” ( pág.15).

Assim vem acontecendo no hospital Jabaquara, como explicamos no boletim 14 (ver )

A estratégia é clara: "assegurar a prestação de serviços até o máximo permitido pelas leis existentes ajuda a preparar o caminho para um acesso mais amplo. Fazer saber às autoridades ligadas a hospitais a respeito das leis existentes, capacitar aos profissionais de saúde para as técnicas abortivas e equipá-los com recursos adequados, são passos que podem trocar as atitudes negativas das pessoas que procuram esses serviços”.

Por último não falta o interesse econômico. IPAS (International Project Assistance Services) é a organização que distribui o equipamento AMEU em todo mundo.

Se o leitor entrar em www.ipas.org encontrará que IPAS se ufana de “ter um rol chave no treinamento e apoio à nova geração de fornecedores de abortos no EUA”.

Ao ir ao link www.ipas.org.br/evolução.html aparece um plano de ação que está pensado em três passos: primeiro, implementar AMEU; segundo “contribuir à humanização (sic) dos tratamentos Post-aborto”; e terceiro, treinar equipes de saúde para abortos “autorizados por lei”. Agora que a lei é tão “flexível” e “humanizada”, todos os negócios do IPAS provavelmente floresçam no Brasil.


Steve Mosher é Presidente do Instituto de Pesquisa da População (Population Research Institute), uma organização sem fins lucrativos dedicada a desfazer a mentira da sobrepopulação no mundo.
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